Obituário | “Desde sempre à espera de ninguém”: Morreu o poeta e tradutor José Bento

Obituário | “Desde sempre à espera de ninguém”: Morreu o poeta e tradutor José Bento

27/10/2019 0 Por Carlos Joaquim

O poeta e tradutor José Bento, 86 anos, autor de “Sítios”, Medalha de Mérito das Belas-Artes de Espanha, morreu no sábado, no Hospital Amadora Sintra, onde se encontrava internado, disse hoje à agência Lusa fonte próxima da família.

Vencedor da primeira edição do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, atribuído por Portugal e Espanha, em 2006, José Bento foi, desde a década de 1950, um dos principais divulgadores de autores como Jorge Luis Borges, Garcia Lorca, Miguel de Unamuno, Santa Teresa de Ávila, San Juan de la Cruz ou Miguel de Cervantes, com a tradução das suas obras, e também um poeta premiado, autor de livros como “Sítios” e “Um Sossegado Silêncio”.
Nascido em Pardilhó, Aveiro, em 17 de novembro de 1932, José Bento, fundador da revista literária Cassiopeia, nos anos de 1950, formou-se em Contabilidade, mas foi na escrita e na tradução que se notabilizou, com destaque para obras como “D. Quixote de La Mancha”, obra fundadora do romance moderno, editado pela Relógio d’Agua, Grande Prémio de Tradução do PEN Clube Português.
Francisco Brines, Vicente Alexandre, Luís Cernuda, Pablo Neruda, Juan Ramón Jiménez, Ortega y Gasset, María Zambrano, Octavio Paz, Ignacio Martínez de Pisón, Calderón de la Barca, Garcilaso de La Vega, Francisco de Quevedo são alguns entre as dezenas e dezenas de autores traduzidos e divulgados em Portugal por José Bento.