Perito de Xangai adverte para perigo de segundo surto de Covid-19 no outono

Perito de Xangai adverte para perigo de segundo surto de Covid-19 no outono

09/04/2020 0 Por Carlos Joaquim
O médico Zhang Wenhong, adverte para a “elevada possibilidade” de ocorrer uma segunda vaga de contágios de Covid-19 a nível internacional, durante o outono.
O chefe do comité de peritos em Covid-19 de Xangai, o médico Zhang Wenhong, adverte para a “elevada possibilidade” de ocorrer uma segunda vaga de contágios a nível internacional, durante o outono. Em entrevista publicada esta quarta-feira pelo diário digital privado Caixin, Zhang manifestou-se convicto de que é “pouco provável” que a pandemia do novo coronavírus termine no verão. Segundo o especialista, durará “até ao ano que vem”.
“[Os surtos na] Europa e nos Estados Unidos não foram controlados de maneira efetiva, por agora. No entanto, em África, na América do Sul, e na Índia, onde a economia está menos desenvolvida e os recursos médicos são insuficientes, os novos casos aumentaram de forma exponencial, o que acarreta uma grande incerteza para a luta global contra a epidemia”, disse.
O clínico, também diretor do departamento de doenças infecciosas do hospital universitário de Huashan, acrescentou: “Supondo que se pode conter [o surto atual] em três ou quatro meses, seria em finais do verão”.
Questionado sobre as defesas da China perante esse possível segundo surto no estrangeiro, Zhang refere que não é possível relaxar. “Se o sistema se descuidar, poderá haver casos não detetados”, acrescentou. Neste sentido, o médico não só pediu às autoridades fronteiriças e sanitárias e às comunidades para se manterem alerta, mas também à comunidade empresarial: “Os negócios que voltem a funcionar devem assegurar-se de que os seus trabalhadores guardam a distância social”.
“A China está agora sob controlo e temos confiança. Porém, o surgimento de uma segunda vaga de contágios noutros países significará que nos veremos submetidos a uma grande pressão para prevenir e controlar os casos importados. A China tem de preparar-se para um segundo pico de contágios importados, com o objetivo de prevenir uma segunda vaga [a nível local]”, defendeu.