
As chamadas fake news são o último desafio. Cito: “o declínio dos jornais de um ponto de vista físico e a sua passagem para a internet coloca-os a todos dependentes de vastos fluxos de informação, fantasia, fugas de informação, teorias da conspiração, expressões de benevolência e ódio” (John Lloyd, Financial Times) e faz com que todos devamos estar mais alerta. O lema do dia é bem achado: “Mentes críticas para dias críticos” (aqui em espanhol, se estiver mais à vontade) É um dos motes para hoje. A jornada é assinalada pela UNESCO com uma conferência em Jacarta, na Indonésia, até 4 de maio.
Assim sendo, proponho que reflita por um minuto neste começo do dia na importância que tem uma imprensa forte, livre e de qualidade para que os nossos dias (os meus e os seus) corram melhor. Veja e ouça António Guterres falando sobre o assunto, repare nesta notável coleção de cartoons e anote o que está a ser preparado no mundo. Não perca o que o investigador dinamarquês Flemming Rose escreve sobre como a (nossa) Europa corre o risco de precipitar no abismo o sistema que garante a liberdade de expressão (sabia que na Turquia há mais jornalistas presos que em qualquer outro país do mundo – um terço do total – incluindo China, Coreia do Norte e Cuba?). As notícias são sombrias. Eduard Snowden, o homem que denunciou a espionagem da NSA e agora vive na Rússia, vai ser entrevistado hoje aqui. E, por favor, não se esqueça que só em 2016 morreram 57 jornalistas no exercício da sua profissão. Porque o jornalismo importa.
Gulbenkian, finalmente uma mulher. Isabel Mota é o nome do dia. É ela a nova presidente da Gulbenkian, a partir de hoje. A primeira mulher em 60 anos . Foi eleita por unanimidade e, ao que se sabe, “conhece a casa como poucos”.
CDS, jornadas parlamentares em Aveiro. Acabam hoje, duraram dois dias. A presidente do partido, Assunção Cristas, pediu “ambição máxima”. O lider da bancada deixou um alerta cívico, ao falar de uma democracia simulada e de uma suposta “muralha de poder” em que se transformou a “muralha de aço” que é esta solução governativa.
CGD, populares não desistem em Almeida. A população continua os protestos e dão mais um dia à administração da Caixa para repensar a estratégia. Senão…
Ainda o relatório da dívida. Todos concordam que o documento preparado pelo PS e o BE é muito moderado. Engraçado é ter ouvido o António Vitorino dizer (SIC-notícias) que o Bloco aceita que a questão seja resolvida por negociação (e não unilateralmente) e ao mesmo tempo Francisco Louçã escrever que acha que é um grande avanço o PS comprometer-se com uma reestruturação. Quanto ao Banco Central Europeu, nunca comprou tão pouca dívida a Portugal.
Falando de dívida, sabia que os portugueses têm menos 30 mil euros do que os restantes europeus? Ao que dizem os números – e o Negócios explica – a família portuguesa típica não só tem menos dinheiro do que as do resto da Europa, como o distribui de maneira diferente. Por exemplo, tem mais casas (lei do arrendamento oblige) mas menos jóias e objetos valiosos. A diferença é mesmo de pasmar: 1 para 10 em Portugal, 1 para 2 na média europeia. A ler.
Exército, uma première. Um oficial no ativo, no caso o comandante operacional das forças terrestres, general Faria Menezes, criticou alto e bom som a decisão do poder político em sair do Kosovo. A ver no que vai dar esta “insubmisssão”. A saída do Kosovo estava a ser equacionada há três anos. O CEMGFA e o ministro Azeredo Lopes vão ter que dizer mais do que “não comento notícias do facebook”. Se a moda pega…
Autárquicas começam a aquecer os motores. O Presidente da República promulgou a 14 de abril o diploma do parlamento que simplifica a apresentação de candidaturas por grupos de cidadãos às eleições autárquicas. Os candidatos independentes vão agora reunir em encontro nacional, até ao fim do mês. Enquanto isso, o Parlamento prepara nova lei de financiamento dos partidos.
No rescaldo do 1º de Maio, não esquecer que se o Primeiro-ministro pode dormir para já descansado, há dois debates que se avizinham que prometem algum sobressalto: ainda segundo Vitorino, é preciso prestar atenção à questão dos salários e da contratação coletiva – matéria em que o governo não está precisamente a alinhar com o que querem as centrais sindicais. O aviso de Arménio Carlos de que o “o Governo não pode ser conduzido pelas finanças” promete. Para se inteirar do estado da arte, leia o que a Rosa Pedroso de Lima aqui escreveu. Quanto aos precários, os sindicatos vão ter poder para indicar precários que devem ser avaliados. E os números do desemprego continuam a descer. Portugal é o segundo país da UE onde o desemprego mais cai.
Airbnb, o que os portugueses ganham. Uma fortuna, dir-se-ia: 20 mil euros por hora é o que a plataforma para encontrar casas rende aos proprietários cá do burgo. Nada mau. Não? E que tal de impostos? Também ficámos a saber que 1 em cada 10 portugueses que viaja cá dentro não paga dormida – ou tem outra casa, ou fica em casa de familiares ou amigos, ou… não é declarado ao fisco.
Baleia Azul, não. Desta vez é grave, muito grave, e não se trata daquele joguinho que as crianças jogavam antigamente na play station entre duas pequenas baleias. É mesmo um jogo de incentivo ao suicídio. A Procuradoria está atenta e admite bloquear os links. Haja Deus! Não é tarde para ler os conselhos que a PSP dá. Para desanuviar, sempre tem esta versão: a baleia cor-de-rosa. Incentiva-o a fazer boas ações (-: big smile).
Fátima. Faltam dez dias para os cem anos. E com a Joana Vasconcelos é tudo em grande, já se sabe. Olhe este enorme terço que ela fez para expor no Santuário. Se quer um, saiba que ele também é reproduzido em sacos de pano de levar ao ombro (e brilha no escuro).
Maddie, 10 anos. Quanto tempo! Pedro do Carmo, diretor-adjunto da Polícia Judiciária quer por um ponto final na história e disse ao Hugo Franco que “os pais não são suspeitos”.
LÁ FORA
O leitor já leu com certeza muita coisa sobre um e outro, mais as eleições, eu escolhi este para si (traduzo eu): “Apresentando Presidente Valéry Giscard d’Estaing Macron”. Leu bem, há 43 anos, um outro jovem brilhante tecnocrata ministro da Economia (que por acaso agora vota nele) tentou fazer o mesmo, romper com os moldes da política francesa. E este: “A campanha vista de fora, na Alemanha um cenário familiar” (Como a CDU antes de Merkel, os Republicanos estão mergulhados em negócios. Como os sociais-democratas de antes de Schroeder, o PSF não tem visão nem coragem). E veja este vídeo de… François Hollande! Ele explica (e bem) por que é que estas eleições nos importam. Última: se ainda não viu, não perca também o vídeo português que já teve mais de um milhão de visualizações em França.
Brexit ainda. A tensão entre o presidente da Comissão Jean-Claude Juncker e Theresa May é tal que as equipas da Comissão não acham possível um acordo no prazo de dois anos e temem que a primeira-ministra esteja em estado de negação. May ripostou: “Sou um osso duro de roer”. O Politico resolveu por os dois no divã (terapia de casal). Depois da aprovação das orientações para as negociações no sábado passado pelo Conselho Europeu, hoje mesmo a Comissão vai publicar o seu programa de negociação, para ser ratificado pelo Conselho daqui a três semanas. As eleições no Reino Unido serão, recorde-se, a 8 de junho e, em março de 2019, é a data do fim oficial das negociações.
Turquia e a propósito de Brexit. O Presidente Erdogan, investido dos seus novos poderes, ameaça agora fazer também um referendo ao estilo Brexit, mas para acabar com as negociações de adesão à União Europeia. Enfim, cairá a máscara, nada que já não suspeitássemos.
Panamá Papers chegaram a Malta (a pequeníssima ilha-Estado que detém presentemente a presidência da União Europeia) e fizeram uma séria baixa – o próprio primeiro-ministro, Joseph Muscat, que agora convoca eleições antecipadas para 3 de junho porque, supostamente, ele e a mulher têm uma conexão com uma offshore.
Venezuela continua a ferro e fogo. E desta vez o lugar-comum é o termo certo. Está mesmo. As manifestações e mortos não param, o presidente Nicolas Maduro não desiste de levar a sua avante e a oposição também não. Resultado: Tudo vai ficar pior, antes de melhorar. Pelo menos é esta a opinião dos especialistas entrevistados pela Joana Azevedo Viana.
Brasil. Uma leitura fora de comum. O que fazem os presos da operação Lava-jato na prisão, já pensou? O que os outros detidos fazem: o ex-deputado Eduardo Cunha lava pratos, o célebre José Dirceu (espanto, o Supremo Tribunal deu-lhe ontem ordem de libertação, no mesmo dia em que o MP acusou o antigo ministro de Lula da Silva de ter recebido subornos no valor de 2,4 milhões de reais) arruma livros na biblioteca, o ex-diretor da Petrobras limpa as celas. Tomam anti-depressivos para aguentar a barra. Será verdade? Não sei. Vendo pelo preço que comprei, no Globo.
Angola, eleições dentro de três meses. A partir de hoje e até dia 21 os partidos devem apresentar as suas candidaturas para as eleições legislativas de 23 de agosto, informa o Jornal de Angola, que também diz que ontem o Presidente José Eduardo dos Santos partiu em visita privada para Barcelona – a sua estadia tinha sido interrompida devido ao falecimento de um irmão.
Não, não me esqueci do cantinho de Trump, só que desta vez é sobre a Hillary. Disse a ex-candidata que se as eleições tivessem sido 15 dias antes, teria ganho. “Teria” é a palavra-chave. Não vale a pena chorar sobre leite derramado. Em outra versão, aqui.
FRASES
“Uma democracia simulada, por algum tempo, até pode fazer um país mais otimista”, Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, nas jornadas do partido.
“Uma comunicação social livre, diversificada e independente é indispensável para promover e proteger a democracia em todo o mundo”, Federica Mogherini, Alta Comissária para os Negócios Estrangeiros da UE
“Ou elegemos mais senadores republicanos em 2018, ou mudamos as regras agora para 51%. O nosso país precisa de uma boa paralização em setembro para resolver a confusão”, Donald Trump, presidente dos EUA
“Os adolescentes nunca deviam levar o telemóvel para o quarto à noite”, Bárbara Dias, psicóloga, ao I.
Se vive em Lisboa ou arredores, que tal ir ao cinema e ver um dos muitos filmes que passam no âmbito do festival IndieLisboa (cinema independente). Começa hoje e dura 10 dias.
Quanto a este Curto, cheguei ao fim. Tenha um excelente dia, aproveite esta Primavera de novo radiosa e com calor de Verão. Se quiser ligar-se, espreite o Expresso online a todas as horas e, à hora certa (18h), o Expresso Diário. Não se arrependerá!