Opinião – As gafarias que escondiam os doentes da sociedade em Portugal
Durante séculos, existiram em Portugal instituições que poucos portugueses conhecem e cuja história permanece praticamente esquecida. Chamavam-se gafarias e eram espaços destinados a acolher pessoas atingidas pela lepra, uma doença que provocava medo, rejeição e afastamento social. Localizadas frequentemente fora das muralhas das cidades e das povoações, estas instituições constituíram uma das primeiras formas organizadas…
Opinião – Os frescos pagãos de Évora que escondem uma crítica ao poder
Junto ao antigo Palácio da Inquisição, em Évora, sobrevive um dos conjuntos de pintura mural mais invulgares do século XVI português. Entre animais fantásticos, criaturas mitológicas e símbolos que parecem saídos de um sonho, estas pinturas contam uma história que vai muito além da decoração e que ganha uma dimensão especial quando conhecemos o destino…
Opinião – São rosas, meu Senhor
As semelhanças entre a Rainha Santa Isabel de Portugal e a Rainha Santa Isabel da Hungria Há histórias que atravessam fronteiras, vencem séculos e parecem repetir-se como se a História, de vez em quando, gostasse de esconder nas suas páginas os mesmos símbolos, à espera de alguém que os descubra. A lenda do milagre das…
Opinião – Os 3000 esqueletos de crianças descobertos debaixo do “Braz & Braz” do Rossio
Sob o antigo Convento de São Domingos, no coração de Lisboa, a arqueologia revelou uma das mais impressionantes necrópoles infantis alguma vez encontradas na cidade. Quase três mil crianças foram enterradas naquele espaço, muitas delas recém-nascidas, num lugar onde a pobreza, a religião e a morte se cruzavam diariamente. Imagine entrar no Braz & Braz,…
Opinião – As cinco hipóteses que Pombal analisou para a reconstrução de Lisboa
Lisboa não nasceu pombalina na manhã seguinte ao terramoto de 1 de Novembro de 1755. Entre os escombros da cidade destruída, antes de surgirem a Rua Augusta, a Praça do Comércio ou a geometria quase perfeita da Baixa, houve uma pergunta muito mais inquietante do que a simples reconstrução dos edifícios: que Lisboa se deveria…
Opinião – Gil Vicente, dramaturgo mas também ourives da Coroa Real?
Gil Vicente entrou na História como o homem que colocou Portugal diante de um espelho, fazendo desfilar nos seus autos clérigos, nobres, comerciantes, camponeses e poderosos, mas poderá ter deixado uma outra marca, muito mais silenciosa e feita não de palavras, mas de ouro. A tradição historiográfica identifica Gil Vicente como o autor da extraordinária…
Opinião – O Olho de Hórus: uma tatuagem com 5.000 anos de História
O verão é também a época em que mais facilmente reparamos nas tatuagens que cobrem a pele, quando os braços, as pernas, os ombros e as costas deixam de estar escondidos pela roupa e revelam símbolos escolhidos por pessoas de todas as idades. Entre esses desenhos, há um que continua a despertar particular curiosidade: o…
Opinião – A Ásia também come Portugal
Quando pensamos na presença portuguesa na Ásia, pensamos habitualmente nas caravelas que atravessaram o Índico, nas fortalezas construídas ao longo das costas, nas igrejas que ainda hoje testemunham a presença portuguesa, nos grandes nomes da expansão e nas cidades que durante séculos estiveram ligadas às redes comerciais portuguesas, mas raramente pensamos numa dimensão muito mais…
Opinião – O armamento escondido pelos “Freitas do Amaral” em Guimarães que permitiu a “Monarquia do norte” (1919)
Há histórias que permanecem durante décadas dentro das famílias e que, quando são recuperadas através dos documentos, permitem olhar para a História de Portugal a partir de uma perspectiva muito diferente daquela que encontramos nos manuais escolares. Em Janeiro de 1919, quando a Monarquia do Norte procurava restaurar a Monarquia em Portugal, um carregamento de…
Opinião – Antigamente usávamos radiografias, negativos e vidros fumados para ver eclipses
Houve um tempo em que um eclipse do Sol era acontecimento suficiente para fazer parar uma rua, juntar uma família à janela ou levar uma multidão para a praça, para o campo ou para o largo da aldeia, porque havia qualquer coisa de extraordinário em ver a Lua passar diante do Sol e transformar, ainda…
Opinião – Os deficientes sentem-se perdidos nos supermercados
Não existem apenas barreiras arquitectónicas para as pessoas com deficiência. Existem também barreiras humanas, talvez ainda mais importantes, mas sobre as quais quase nunca falamos, porque é muito mais fácil identificar uma escada sem rampa, uma porta demasiado estreita ou um passeio impossível de atravessar do que reconhecer a dificuldade criada por um funcionário que…
Opinião – Aprender a ler antes dos 6 anos?
Há uma mudança silenciosa a acontecer na educação portuguesa que merece muito mais atenção do que aquela que tem recebido, porque, sem alterar necessariamente a idade em que uma criança entra na escola ou o momento em que começa formalmente a aprender a ler, está a modificar a forma como olhamos para os anos que…
Opinião – Quando os nossos animais morrem merecem dignidade…
Quando um animal morre, há uma casa que fica diferente, não apenas porque desaparece uma presença que durante anos fazia parte da rotina familiar, mas porque se altera uma espécie de equilíbrio silencioso a que nos habituámos sem nunca lhe darmos grande importância: deixamos de ouvir as patas no chão, de encontrar aquele olhar à…
Opinião – Montenegro tem agido bem perante as tentações das secretas
Há uma lição que tive o privilégio de aprender ao conviver com alguns dos homens que ajudaram a construir a democracia portuguesa. Tinham percursos políticos diferentes, visões diferentes sobre muitos assuntos, mas partilhavam uma preocupação comum: impedir que o Estado democrático voltasse a concentrar demasiado poder numa única pessoa, num único organismo ou num único…
Opinião – A 1ª República gozada pelo povo
“Um português, uma tristeza; dois portugueses, uma discussão; três portugueses, uma revolução.” A frase corria nos meios portugueses e estrangeiros durante a I República, sendo particularmente conhecida em Paris, onde a vida política portuguesa era acompanhada com atenção por diplomatas, jornalistas e intelectuais. Em poucas palavras, resumia uma imagem que se foi construindo sobre Portugal…