Marinha Grande | PASSEIO SOBRE BIODIVERSIDADE DAS DUNAS SENSIBILIZOU PARTICIPANTES PARA OS DESAFIOS DA CONSERVAÇÃO COSTEIRA

Marinha Grande | PASSEIO SOBRE BIODIVERSIDADE DAS DUNAS SENSIBILIZOU PARTICIPANTES PARA OS DESAFIOS DA CONSERVAÇÃO COSTEIRA

10/08/2026 0 Por Carlos Joaquim
Cerca de duas dezenas de participantes marcaram presença no passeio na natureza “Biodiversidade das Dunas da Marinha Grande | Ameaças e Desafios”, promovido pelo Município da Marinha Grande no passado dia 8 de agosto, entre a Praia Velha e São Pedro de Moel, numa iniciativa integrada no programa de Sensibilização Ambiental da Bandeira Azul.

Orientada por Sónia Guerra, bióloga e chefe da Divisão de Ambiente, Alterações Climáticas e Sustentabilidade da Câmara Municipal da Marinha Grande, a atividade permitiu dar a conhecer a riqueza ecológica dos sistemas dunares do concelho, a sua importância para a proteção da linha de costa e os desafios que enfrentam perante as alterações climáticas e a pressão humana.

Ao longo do percurso, os participantes conheceram várias espécies características das dunas e da costa, como o estorno, os cordeirinhos-da-praia, a luzerna-da-praia, a granza-da-praia e diferentes eufórbias, compreendendo o papel essencial da vegetação autóctone na fixação das areias e na proteção dos sistemas dunares perante as condições extremas do litoral.

Um dos destaques da ação foi a observação de raridades botânicas, como a flor-da-saudade e os limónios, espécies endémicas lusitânicas que ocorrem exclusivamente no litoral oeste de Portugal continental.

Os participantes puderam compreender como a arborização das dunas resultou da instalação do ripado móvel do início do séc. XX e contribuiu, ao longo do último século, para travar o avanço do mar e proteger o território.

Um dos temas centrais da ação foi o impacto da tempestade Kristin, que atingiu o concelho em 2026 e provocou alterações profundas na faixa costeira. Foi explicado que os efeitos do fenómeno extremo foram particularmente severos, levando ao recuo do cordão dunar e à transformação significativa de alguns habitats. O impacto foi descrito como avassalador, evidenciando contudo a capacidade regenerativa das espécies autóctones perante fenómenos meteorológicos cada vez mais intensos e frequentes.

Ao longo do percurso foi igualmente reforçada a necessidade de combater espécies invasoras, como o chorão-da-praia, que compete com a flora autóctone e ameaça o equilíbrio ecológico dos sistemas dunares. Neste contexto, foi salientada a importância dos passadiços na proteção da vegetação, evitando o pisoteio e a degradação dos habitats dunares fortemente vulneráveis à ação humana.
Gabinete de Comunicação e Imagem