Cantanhede | No próximo sábado, às 16h30 Livro de António Canteiro tem apresentação editorial na Pocariça

Cantanhede | No próximo sábado, às 16h30 Livro de António Canteiro tem apresentação editorial na Pocariça

28/10/2021 0 Por Carlos Joaquim

Nocturno, último romance de António Canteiro, vai ser apresentado na sede da Associação Musical da Pocariça, no próximo sábado, dia 30 de outubro, pelas 16h30. A apresentação estará a cargo de António Tavares, romancista galardoado e vencedor do Prémio Leya 2015, que vai estar na sessão acompanhado pelo autor e por Dina Lopes, autora da pintura a óleo Nocturno que serve de capa do romance.

Com organização do Município de Cantanhede, em colaboração com a Associação António Fragoso e a Gradiva Publicações, a iniciativa contará ainda com a projeção da obra “Nocturno” em Mi, interpretado pela Orquestra António Fragoso, e com a leitura de textos por José Castela e Cândida Ferreira, do Grupo de Teatro Bonifates, de Coimbra.

A narrativa, em jeito de romance, transporta-nos para a sub-região da Gândara de Carlos de Oliveira, no ido ano de 1918, tempo em que se vivia a gripe pneumónica, uma pandemia em tudo semelhante à que vivemos hoje. O protagonista, o músico António de Lima Fragoso, sucumbe aos 21 anos à doença da febre amarela, em outubro desse mesmo ano, revelando-se um mês fatídico para a família, com o desaparecimento de mais três irmãos, duas primas e uma tia, vítimas mortais da mesma doença, todos debaixo do mesmo teto, na sua casa da Pocariça, Cantanhede.

António de Lima Fragoso, aluno de Thomás Borba e Luís Freitas Branco, concluiu o exame final de piano no Conservatório Nacional com 20 valores e compôs uma obra musical notável, escreveu Contos e Cartas a Maria, obra literária que dirigia a um sujeito ambíguo no seu ideário socio-afetivo, que poderia muito bem tratar-se da amiga e pintora, Maria Amélia Carneiro, sua conterrânea da Pocariça, com quem convivia, amiúde, partilhando «artes» durante a permanência de ambos na cidade do Porto, aos fins de semana e durante as férias na aldeia natal.

Recorde-se que o romance Nocturno, de António Canteiro, venceu o Prémio Ferreira de Castro de Ficção Narrativa de 2020, considerado pelo júri como “uma pro­posta consistente e original” que destaca ainda “o vocabulário poético, o rigor e a estrutura criativa desta obra, que apresenta uma escrita de qualidade, hábil combinatória ficcional das componentes biográfica, memorialística e ensaística interartes, com páginas verdadeiramente geniais”.

António Canteiro, pseudónimo de João Carlos Costa da Cruz, nasceu em S. Caeta­no, em 1964. Vive atualmente em Febres, Cantanhede.

Na área do romance publicou vários livros que foram premiados: Parede de Adobo (CSPSC) recebeu Menção Honrosa do Pré­mio Carlos de Oliveira, em 2005; Ao Redor dos Muros (Gradiva Publicações) venceu o Prémio Alves Redol, em 2009; Largo da Ca­pella (Gradiva Publicações) obteve a Men­ção Honrosa do Prémio João Gaspar Si­mões, em 2011; Logo à Tarde vai Estar Frio (Gradiva Publicações) foi galardoado com Menção Especial do Júri, no Prémio João José Cochofel/Casa da Escrita de Coimbra, e vencedor, em 2015, do Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho; A Luz Vem das Pedras (Gradiva Publicações) obteve, em 2015, o Prémio Alves Redol; Vamos Então Falar de Árvores (Editora Húmus) venceu ex aequo o Prémio Bento da Cruz, em 2018. Na área da poesia, O Silêncio Solar das Ma­nhãs (Gradiva Publicações) venceu o Pré­mio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, em 2013; Na Luz das Janelas Pestanejam as Sombras (Ed. LASA) arrecadou o Prémio de Poesia de Bocage, em 2015; A Casa do Ser (Gradiva Publicações) recebeu o Prémio de Poesia de Bocage, em 2018; Não Fosse o Tu­multo de Um Corpo, poesia inédita, venceu o Prémio Literário António Cabral 2019.

A sua obra mais recente, Nocturno, foi o ro­mance vencedor do Prémio Literário Fer­reira de Castro, em 2020.

Dina Lopes, autora da pintura da capa, nas­ceu em Anadia, em 1972. Licenciou-se em Pintura na ARCA – Escola Universitária das Artes de Coimbra, em 1998. Tem realizado várias exposições coletivas e individuais em Portugal e no estrangeiro, tendo desen­volvido uma técnica muito própria que nos leva a viajar no Tempo e no Espaço através da sobreposição de Imagens e Transparên­cias. Algumas das suas obras fizeram parte dos cenários da RTP Internacional, em 2001. Entre outras ilustrações contam-se a da capa do CD «Coimbra no Outono da Voz», de António de Almeida Santos (2002), e de livros e jogos didáticos entre 2003 e 2008. Está representada em coleções públicas (Assembleia da República e Câmara Muni­cipal de Cantanhede), bem como em cole­ções privadas em Portugal e noutros países.