Dirigente elogia suspensão de lei que permitiria expulsar de jovens portugueses clandestinos na Califórnia

Dirigente elogia suspensão de lei que permitiria expulsar de jovens portugueses clandestinos na Califórnia

29/06/2020 0 Por Carlos Joaquim
A decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de impedir o fim do programa que protege jovens imigrantes ilegais (DACA) veio dar alguma segurança a jovens portugueses da Califórnia, onde várias famílias residem clandestinamente, disse à Lusa o responsável comunitário Diniz Borges.
O professor e presidente da coligação de luso-americanos na Califórnia, CPAC, disse à Lusa que a continuidade do DACA “é uma forma de os jovens pelo menos terem alguma segurança”, visto que este programa protege de deportação os imigrantes que foram levados para os Estados Unidos em criança.
“Numericamente sabemos que a percentagem não é significativa, não é o mesmo da comunidade hispânica, mas afeta algumas famílias que vivem na Califórnia clandestinamente e que emigraram nos últimos dez a quinze anos”, indicou o responsável.
O programa Ação Diferida para a Chegada de Crianças (DACA, na sigla em inglês), foi iniciado em 2012 pelo então Presidente Barack Obama e protege de deportação 650.000 jovens, conhecidos como “dreamers”. Entre eles, de acordo com números veiculados em 2017 pela secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, contam-se 520 jovens portugueses.
Diniz Borges explicou que muitas das famílias portuguesas que emigraram sem papéis não terão tido noção do que isso representaria no futuro para as crianças.
Sem DACA, um jovem indocumentado tem mais dificuldades em seguir para a universidade e não consegue obter um número de segurança social, essencial para integrar o mercado de trabalho ou abrir conta no banco.
“Existem particularmente várias famílias que estão aqui na zona do vale de São Joaquim que vieram para a agropecuária, foi uma forma de conseguirem um emprego sem dar muito nas vistas”, descreveu o presidente.
O vale central da Califórnia tem uma grande tradição de propriedades agrícolas e pecuárias detidas por famílias de origem portuguesa, calculando-se que metade dos produtores de leite sejam lusodescendentes.