Devemos pedir aos nossos párocos que reabram as igrejas?
O inimaginável: as igrejas de Roma fechadas pela primeira vez em dois mil anos!
Padre David Francisquini –
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 834, Junho/2020 –
Pergunta — Diante das limitações de contato social impostas a propósito da pandemia do coronavírus, pergunto ao ilustre sacerdote se a atitude radical de se fechar as igrejas pode ser considerada correta. Compreendo que devemos evitar aglomerações, é claro; mas é incompreensível, pelo menos para mim, impedir que possamos fazer nossas orações nas igrejas. O que ensina a doutrina católica a respeito? Devemos procurar nossos párocos, para conseguir que eles reabram as igrejas?
Resposta — Eu espero que, ao ser publicada esta resposta, já tenha sido superada a crise sanitária provocada pelo coronavírus — chamado por muitos de “vírus chinês”, pela irresponsabilidade com a qual os ditadores comunistas reagiram ao seu surto — e o Brasil não tenha sido empurrado para uma crise econômica e social ainda pior que a atual. No entanto, não é seguro confiar nessa possibilidade, e é possível que dentro de algumas semanas as igrejas ainda estejam fechadas, com as celebrações litúrgicas públicas proibidas pelas autoridades eclesiásticas, como estiveram durante a Semana Santa, pela primeira vez desde a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!
No assunto levantado por nosso missivista, os católicos têm-se dividido em três grupos: os que consideram exclusivamente humano o combate ao vírus, não tendo a parte sobrenatural nenhum papel a desempenhar (para esses, os milagres seriam meras superstições); os que desaprovam as restrições à abertura das igrejas e ao culto público, porém com base apenas no fato de as celebrações litúrgicas favorecerem a solidariedade horizontal, útil nas horas difíceis; e finalmente os católicos com verdadeira fé, para os quais o principal da luta contra as epidemias e os contágios se desenvolve no Céu, diante do trono da Divina Majestade.
Para estes últimos — entre os quais me inscrevo — a crise do coronavírus não é principalmente um desafio sanitário, mas também um teste de fidelidade aos valores mais transcendentes da religião, da civilização e da humanidade. É por isso que têm sido merecidamente aplaudidos no mundo inteiro os esforços, por vezes heroicos, envidados pelos médicos e pelo pessoal sanitário. Movidos por um dever moral, e enfrentando o perigo de contágio, esses profissionais impõem às suas próprias consciências a obrigação de se devotarem aos doentes. De sua atitude emerge o reconhecimento implícito da existência de princípios morais superiores e objetivos, que devem orientar a vida dos homens e plasmar a vida social e as instituições públicas.
Desafio que vincula a saúde física à saúde moral
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| Dois sacerdotes rezam a Via Sacra na solidão da igreja vazia |
A vida em sociedade, a partir da vida de família, não visa apenas proporcionar bens de índole material ou temporal, mas principalmente acrescentar a esses os bens superiores, com primazia aos que se relacionam com a religião.
Desde as primeiras manifestações do coronavírus, o que mais se tem destacado é a saúde. Mas esta palavra provém do latim salus, e significa saúde em seu sentido sanitário, tanto como salvação no sentido religioso. Ambos os significados são muito interconectados, como salientou o bispo de Trieste, Dom Gianpaolo Crepaldi, ao lembrar que nos indivíduos e nas sociedades o desafio à saúde física está estreitamente ligado ao desafio à saúde moral. Portanto, a resposta ao coronavírus não pode ser apenas técnico-científica, deve ser também moral e religiosa.
