O pesadelo verde pós Covid-19 de Nicolas Hulot

O pesadelo verde pós Covid-19 de Nicolas Hulot

19/05/2020 0 Por Carlos Joaquim
José Antonio Ureta
No recente documento publicado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (A maior operação de engenharia social e de baldeação ideológica da História) as correntes ecologistas radicais são acusadas de se posicionarem como uma das principais beneficiárias da crise econômica e social decorrente do confinamento forçado da população.
Desde o início da aplicação das drásticas medidas de lockdown os verdes proclamaram aos quatro ventos que estava provado ser possível, diante de uma ameaça global, impor medidas rígidas para mudar o comportamento das pessoas, e que seria doravante inconsequente não declarar a “urgência climática” e impor medidas severas para diminuir a produção de CO2.
A acusação lançada pelo Instituto foi amplamente confirmada pelas declarações feitas no dia 6 de maio, ao conhecido jornal de esquerda Le Monde pelo líder ecologista francês Nicolas Hulot.
Para aqueles que não acompanham de perto a política francesa a figura de Nicolas Hulot pode ser desconhecida, mas ele é na França, segundo sondagens de opinião, o homem público com o maior índice de popularidade.
Depois de trabalhar como fotógrafo de imprensa e jornalista, Hulot se tornou uma figura conhecida em todos os lares por seu programa de televisão Ushuaïa, dedicado a esportes radicais e às belas paisagens. Com as simpatias angariadas nesse programa, as parcerias com grandes empresas e o maior canal de televisão, ele lançou a Fundação para a Natureza e o Homem, hoje Fundação Nicolas Hulot, dedicada ao combate à “mudança climática”. Malogrado pré-candidato do Partido Europa Ecologia — os Verdes às eleições presidenciais de 2012, o presidente Macron lhe ofereceu o Ministério da Transição Ecológica e Solidária, cargo que exerceu entre maio de 2017 e agosto de 2018, quando renunciou alegando que a ecologia não era uma prioridade do governo. Sem nenhum cargo político, ele continua sendo, entretanto, uma figura de relevo nos debates em torno das questões do meio ambiente, não escondendo suas ambições para as eleições presidenciais de 2022.
Do alto de sua atalaia, Nicolas Hulot sentiu que o pânico provocado em torno da Covid-19 era o momento propício para se lançar proposições radicais que influenciassem as decisões públicas que configurarão a “nova normalidade” emergente. Isso porque a presente crise “torna aceitáveis propostas que até agora pareciam totalmente inatingíveis”, sendo agora possível “criar um círculo virtuoso entre a vontade cidadã e a faculdade política”.
O título que o Le Monde deu à sua longa entrevista já é muito ilustrativo dessa mudança psicológica do cenário pós-coronavírus: “Nicolas Hulot: ‘O mundo de depois será radicalmente diferente daquele de hoje, e sê-lo-á de bom grado ou pela força’”.