Dar sangue em tempo de pandemia. Os 470 ml que fazem a diferença

Dar sangue em tempo de pandemia. Os 470 ml que fazem a diferença

12/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

O pedido é logo feito à entrada: só entra uma pessoa de cada vez. E para que ninguém se sinta desconfortável se for preciso esperar, termina-se ao fundo das escadas uma tenda para proteger do sol ou da chuva, já que assim vai ter de ser nos próximos tempos.

À porta, o enfermeiro mede a temperatura no ouvido e faz as primeiras perguntas à procura de tosse e febre, os sintomas suspeitos da doença que alterou os dias. A pandemia apertou as regras de segurança, mas é mesmo só isso: no Centro de Sangue e Transplantação de Lisboa, como noutros locais de colheita do país, os dadores continuam a ser bem-vindos. E necessários: as colheitas a nível nacional caíram 38% em março, fruto do adiamento de sessões de colheita habituais em escolas ou empresas. No pavilhão 17 do Parque da Saúde de Lisboa, que até aqui representava 15% a 20% das colheitas do Instituto Português do Sangue e da Transplantação de Lisboa, o objetivo é agora compensar as filas que há poucos meses se faziam em universidades, locais de trabalho e carrinhas.
É uma manhã de terça-feira e não há muito movimento, mas os dadores vão chegando. “Nalguns dias, já temos tido filas às porta”, conta um dos elementos da equipa. É o que acontece geralmente quando há mais notícias, mas a preocupação é manter a adesão.
Os enfermeiros usam equipamentos de proteção individual, incluindo a máscara facial, o dispensador de desinfetante alcoólico é paragem obrigatória para todos os dadores e são esses cuidados as mudanças que mais saltam à vista. Preenche-se o questionário de avaliação da saúde do dador e o inquérito sobre antecedentes clínicos e eventuais exposições a fatores de risco para doenças infecciosas – o processo habitual nas dádivas de sangue – e segue-se a pequena “entrevista” num dos gabinetes, que vai mais longe no despiste na avaliação do dador e ajuda a esclarecer dúvidas.
Na entrada do centro de colheita estão visíveis as novas regras: não deve entrar no espaço de colheita se viajou nos últimos 28 dias para zonas com transmissão comunitária de covid-19, se esteve doente com febre, tosse ou falta de ar nos últimos 28 dias, se esteve em contacto com doentes potencialmente infetados com covid-19, se veio de uma zona que esteja de quarentena por casos de covid-19.
Ana Paula Sousa, médica de imunohemoterapia e diretora técnica do Centro de Sangue e da Transplantação de Lisboa, explica que são medidas de precaução para garantir a segurança na dádiva de sangue e precaver o que descreve como um risco “teórico” de transmissão do SARS-CoV-2 pela transfusão. “De acordo com a literatura científica disponível, não existe evidência, à data de hoje, de que os vírus respiratórios possam transmitir-se por transfusão, incluindo coronavírus. Sendo um vírus novo, temos de admitir um risco teórico, mas não é conhecido nenhum caso”.
Para prevenir, conta-se com a colaboração dos dadores na resposta às questões. “A informação tranquiliza quem dá sangue e também salvaguarda a prática da medicina transfusional”, diz a médica. E os casos em que a infeção possa ser assintomática? Ana Paula Sousa explica que para já não existe evidência que exija regras mais apertadas, mas é uma realidade que continua a ser monitorizada e as medidas poderão ser reforçadas, se tal vier a ser necessário. Neste momento, várias instituições de referência, nomeadamente a OMS, seguem esta abordagem e consideram que fazer testes ao sangue pode ser, para já, prematuro, tendo em conta que não existe evidência científica de transmissão por transfusão. Mas admite-se por exemplo que, como medida precaucional, o sangue possa ficar em quarentena para a eventualidade de os dadores virem a manifestar sintomas após a dádiva, que devem reportar aos centros de colheita.
Onde dar sangue em Aveiro?
Dia de Maio a sessão de colheita de sangue decorre entre as 9 horas e as 13 horas. Esta excepção deve-se ao facto de ser feriado.
No posto Fixo da ADASCA os dadores ou candidatos à dádiva de sangue são atendidos por ordem de chegada. Aconselha-se os interessados a aceder ao site http://www.adasca.pt/ onde está disponível mais informaão.
No espaço onde funciona a ADASCA são garantidas as distâncias de segurança e desinfectante para as mãos.