Covid-19: Voluntários ajudam família infetada em Vila Pouca de Aguiar

Covid-19: Voluntários ajudam família infetada em Vila Pouca de Aguiar

10/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

A enfermeira Mariana Silva voluntariou-se para ajudar uma família com covid-19 numa aldeia de Vila Pouca de Aguiar e está, agora, a ser apoiada pela comunidade que assiste, 24 horas por dia, dois irmãos com necessidades especiais.

Ao todo são três irmãos com covid-19, com idades entre os 65 e os 72 anos, residentes numa das aldeias mais isoladas e pequenas do concelho de Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real.
A irmã mais velha, a cuidadora, teve de ser hospitalizada e os restantes dois membros da família, com necessidades especiais, foram instalados no centro social e paroquial Padre Sebastião Esteves, onde estão a ser acompanhados 24 horas por dia por oito voluntários.
Enfermeira em Inglaterra desde 2011, Mariana Silva, 30 anos, veio passar um fim de semana a Santarém, no início de março, e acabou por ficar em Portugal por causa da pandemia de covid-19, e porque o seu “pior pesadelo” era estar longe e alguém da sua família precisar de ajuda.
O pedido de apoio, no entanto, chegou por parte de uma amiga, também emigrante, cuja mãe e dois tios portadores de deficiência estavam infetados.
“Voluntariei-me e nem pensei duas vezes”, afirmou a enfermeira à agência Lusa.
Mariana Silva contou que foi para a aldeia de Vila Pouca de Aguiar e durante uns dias apoiou a família, que permanecia na sua residência, com orientação das entidades locais de saúde.
Dormia numa casa próxima e durante o dia ajudava-os, até que foi necessário hospitalizar a irmã mais velha, devido aos sintomas da covid-19.
Nessa altura, foi necessário arranjar uma solução para os outros elementos da família, os dois assintomáticos mas dependentes.
A resposta foi encontrada em conjunto pela câmara, Proteção Civil Municipal, pelo centro social e paroquial e voluntários.
O padre António Paulo explicou à Lusa que a solução “permite prestar ajuda, sem expor tanto os voluntários”.
Os dois irmãos estão nas instalações de uma creche, com divisórias de vidro que permitem que estejam sempre a ser acompanhados, e onde existem duas casas de banho, televisão, sofás e camas.