“Mundo” de Florbela Espanca atrai investigadores estrangeiros a Vila Viçosa

“Mundo” de Florbela Espanca atrai investigadores estrangeiros a Vila Viçosa

06/01/2020 0 Por Carlos Joaquim
Turistas e investigadores estrangeiros rumam a Vila Viçosa (Évora) em busca do “mundo” de Florbela Espanca, poetisa natural da terra, onde existe o desejo antigo de construir uma casa-museu para mostrar o seu espólio.
Quase num dos extremos da principal praça da vila, ergue-se o busto de Florbela Espanca (1894-1930), um dos marcos evocativos da “filha da terra”. O cineteatro ou a biblioteca “batizados” com o seu nome, assim como a rua onde está uma casa onde viveu, são outros dos sinais.
É nesta casa, com evidentes sinais de degradação, apontada como futura casa-museu, que está escrito na fachada, por baixo de uma caricatura da poetisa, o conhecido verso “E é amar-te, assim, perdidamente…”.
“Existe um carinho muito grande” por Florbela na sua “terra natal”, diz à agência Lusa Noémia Serrano, vice-presidente do Grupo Amigos de Vila Viçosa, que detém um “espólio valioso” com “cerca de 100 peças” da poetisa, legado pelo seu terceiro e último marido, Mário Lage.
No país, “penso que o nosso espólio é o segundo, em termos de riqueza”, destaca, indicando que “o primeiro está na Biblioteca Nacional, em Lisboa”, e que, em Matosinhos, onde Florbela viveu os seus últimos anos e onde morreu, “também existe alguma coisa”.
O nome da poetisa, que funciona como “chamariz” turístico local, “quebra” as “fronteiras” do concelho alentejano e mesmo do país e atrai investigadores vindos de longe.
“Florbela Espanca é uma grande poetisa nacional” e tem “um peso fundamental para a cultura nacional e também de Vila Viçosa”, assinala Luís Nascimento, vice-presidente da câmara municipal.
Interessados em consultar o espólio, chegam “muitos mestrandos e doutorandos” de universidades do Brasil, país onde “Florbela é mesmo muito importante”, conta Noémia Serrano.
E investigadores “de Oxford”, em Inglaterra, ou de “S. Francisco”, nos Estados Unidos, e “de várias universidades” nacionais também “rumam” à vila, acrescenta.
Peças do Grupo Amigos de Vila Viçosa e manuscritos do acervo da poetisa pertencentes à Fundação da Casa de Bragança, que foram adquiridos no tempo do então presidente do conselho administrativo e, agora, Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estão expostos no Paço Ducal de Vila Viçosa, até ao próximo dia 12, numa mostra comemorativa da escritora.