Natal época mais melancólica

Natal época mais melancólica

24/12/2019 0 Por Carlos Joaquim
Os cristãos de todo o mundo preparam-se para comemorar de novo a natividade de Jesus. Certamente que vamos todos celebrar o magno evento com um misto de reverência, gratidão e alegria, pois, se não houvesse Natal o homem perder-se-ia para sempre indiscutivelmente.
Triste é dizê-lo, mas o Natal não passa, para muitos, de uma boa oportunidade para se fazer negócio ou participar em festins de carácter social. Filantropia de fachada, armistícios de conveniência política, religiosidade hipócrita, etc. etc.
Eis no que se transformou, em muitos indivíduos, essa maravilhosa realidade que é o Natal.
Contudo, para a maioria das pessoas, esta é, no bom sentido, a época mais alegre do ano. Festas, banquetes, divertimentos proliferam. Convidam-se para comer amigos e familiares; respira-se ambiente de amor e de paz, parece que até o ar que respiramos se alterou. Em quase todos os lares, escritórios, fábricas, escolas e igrejas há troca de presentes. Em toda parte se ouvem os cânticos tradicionais de cada região e País. Dificilmente alguém se pode isolar de tão contagiante época de alegria e regozijo.
Mas para alguns, o Natal é o tempo mais melancólico – para não dizer solitário e doloroso – do ano. O alvoroço festivo só serve para aliviar a tristeza e a dor da alma. Participam nas festas, mas o que comem sabe-lhes a cinza, sem qualquer gosto.
Por vezes bebem demais para poderem esquecer… Quem serão as pessoas solitárias e melancólicas? Quem se sentirá triste no meio de tanta alegria? São os recém-divorciados que agora sofrem pior agonia, por já verem que ele ou ela celebrara o Natal na companhia de outro ou de outra. São os pais que colocam lindos presentes sob a árvore de Natal para o filho que jamais os abrirá, por a morte o ter surpreendido tão prematuramente.
São todos quantos se encontram desempregados e perderam a própria casa, enquanto o mundo continua a quadra natalícia. São as pessoas afastadas do lar pelas mais diversas razões, do calor da família e dos amigos que desejam reviver o Natal de anos passados. Sim, há muitos vizinhos tristes, isolados, angustiados e sem amparo.
Sabemos que Deus os ama e que lhes oferece o melhor presente. Mas precisam de ouvir expressões de carinho, afeição e amor. É fácil deixar-nos levar pela corrente tradicional de muitos planos e actividades. Esforcemo-nos por alcançar as pessoas que sofrem. Convidemo-las a aceitar o nosso companheirismo para que desfrutem da paz e da felicidade tão apregoadas nesta época. Não podemos livrá-las das feridas, mas procuremos incentivá-las a sentir que na vida nem tudo é dor, tristeza e solidão.
Eu quero um Natal diferente. Neste Natal eu não quero presentes adquiridos em lojas apinhadas de gente indiferente, esquecida da razão de tanta azáfama. Não quero cartões de atractivos, enviados por mero dever social, um nome apenas na lista anual sem interesse ou expressão.
Não o esplendor das luzes multicolores e brilhantes, para ofuscar a miséria moral e espiritual, propositadamente escondida pelos cantos da vida…