Cuidados intensivos pediátricos. Sem enfermeiros, Santa Maria tem camas sem uso há ano e meio
Cuidados intensivos pediátricos têm oito camas, mas só seis estão a funcionar. Unidade aponta regresso à normalidade para janeiro.
Há ano e meio que das oito camas dos cuidados intensivos pediátricos do Hospital de Santa Maria – hospital de referência para toda a região Sul -, só seis estão a funcionar. Em causa está a falta de enfermeiros para assegurar cuidados aos doentes. A situação foi exposta esta segunda-feira no programa “Prós e Contras” pelo pediatra Francisco Abecasis. Interpelado sobre a capacidade de resposta nos hospitais de Lisboa, numa altura em que as urgências pediátricas da Margem Sul estão a ser encaminhadas para a capital durante a noite, o médico alertou que as urgências estão cheias – dado o início um pouco mais cedo da época de gripe e mais casos de bronquiolites – e que vão aguentar “mal” este período. Referiu ainda o fluxo elevado de pessoas que não precisariam de recorrer aos hospitais e a falta de capacidade de resposta para internamento por haver camas fora de uso por falta de enfermeiros.
Foi neste contexto que o médico deu o exemplo da unidade de cuidados intensivos pediátricos, “a maior do país”, com oito vagas, mas que não está a funcionar em pleno desde 2018. “Há um ano e meio que duas camas estão fechadas, não temos enfermeiros […] Trabalho há dez anos nesta unidade, durante dez anos não me lembro de ter recusado um doente para cuidados intensivos pediátricos. No último ano, só eu recusei dez e, com os meus colegas, recusámos cerca de 50”, disse o médico, admitindo o sentimento de frustração. “O SNS são os profissionais que lá trabalham e estes têm de ser recompensados e acarinhados, e não é no ordenado, é em tudo o resto. É eu não ter de recusar um doente que precisa de cuidados intensivos, saber que o posso ajudar e não tenho onde o deitar. E muito dão as pessoas que trabalham no SNS para que não seja pior. Está a acontecer em todas as unidades do país, não é só em Santa Maria”.