Opinião | Catedral de York
A catedral gótica de York, na Inglaterra, apresenta algumas características que à primeira vista impressionam pouco, mas cuja beleza é preciso saber saborear. O gosto pelo princípio de unidade e transcendência nos levaria a desejar que as torres terminassem bem mais altas, por uma série de lances menores e com uma ponta altiva e elegante. Pois não é propriamente segundo o espírito contra-revolucionário uma torre sem ponta, sem uma flecha.
As duas torres do fundo não têm pontas, mas os ângulos estão flanqueados por alguns florões que causam à primeira vista a impressão de torreões. Onde está a beleza dessas torres? Pode-se dizer que estão inacabadas, e que não possuem toda a beleza com a qual sonhou para elas o arquiteto. Mas a beleza própria delas é justamente por não terem cone, pois há nelas algo que nos leva a imaginar as pontas que não existem e a sonhar com elas.
Na ordem da natureza as sombras têm sua beleza, e às vezes são mais belas do que a realidade. Também os cumes e as pontas inexistentes ficam insinuados, quando a base é feita com talento. E por meio da insinuação, qualquer um pode formar certa ideia subconsciente daquilo que poderia existir. Nas duas torres há algo que ajuda a imaginação de quem as vê, a elevar-se até o cone. De fato, prestando atenção, desprende-se dela certa poesia, que é a do cone inexistente, mas imaginável.