Indústria do tomate estima prejuízo diário de 4 milhões de euros com greve dos motoristas

Indústria do tomate estima prejuízo diário de 4 milhões de euros com greve dos motoristas

02/08/2019 0 Por Carlos Joaquim
O presidente da Associação dos Industriais de Tomate garantiu hoje à Lusa que a greve dos motoristas pode provocar ao setor prejuízos diários de quatro milhões de euros e pôr em causa quatro mil postos de trabalho.
“Esta greve vai cair no pico da apanha do tomate. O tomate, em Portugal, é plantado entre abril e maio […] e apanhamos cerca de 25 milhões de quilos por dia que depois são transformados, poucas horas após a apanha. O valor dessa atividade é de cerca de quatro milhões de euros por dia”, estimou, em declarações à Lusa, Martin Stilwell.
Tendo em conta que a apanha do tomate decorre entre Agosto e Setembro e que este é um fruto de curta duração, os produtores estão “muito alarmados com a situação”, acrescentou o responsável.
Desta forma, apelam a que este setor seja integrado nos serviços mínimos para que seja disponibilizado “gasóleo aos agricultores e aos homens que transportam o tomate”, bem como para que “seja permitido abastecimento de fuel e gás às fábricas” que transformam este fruto.
A Associação dos Industriais de Tomate exprimiu, por escrito, estas preocupações ao executivo, estando já agendada, para a próxima semana, uma reunião com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.
Paralelamente, os produtores estão a tentar precaver-se, abastecendo, antecipadamente, os seus veículos, porém, alertam que, sem energia, as fábricas de transformação não vão conseguir funcionar.
Com esta greve, ficam assim em causa, “quatro mil postos de trabalho de cerca de oito fábricas, essencialmente, na região do Ribatejo”, apontou.
A paralisação dos motoristas “põe em risco o futuro da atividade em Portugal. Estamos em contacto muito próximo com os nossos agricultores que estão, igualmente, alarmados com a situação. Pode, com alguma facilidade, pôr em causa a subsistência desta atividade no país”, defendeu Martin Stilwell.