A recente viagem do general Hamilton Mourão à China foi precedida pela ampla divulgação do conceito — à maneira de um slogan talismânico — de que “a China é o nosso maior parceiro comercial”. Vão na mesma linha as declarações do presidente chinês Xi Jinping: “Os dois lados devem continuar discutindo com firmeza as oportunidades e os parceiros um do outro para o seu próprio desenvolvimento, respeitando-se, confiando um no outro, apoiando-se mutuamente e construindo as relações China-Brasil como modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento”.1 Tais afirmações dão ensejo a que se esclareça um aspecto do problema, sobre o qual as novas gerações geralmente não estão informadas.
A mídia gosta de apresentar a China como segunda potência mundial, dando a entender que sua industrialização e seu crescimento têm como causa, propulsão e continuidade a aplicação dos princípios comunistas. Nada mais falso e contrário à realidade histórica, pois os verdadeiros motores da industrialização chinesa foram o capitalismo ocidental e a aproximação com o Japão (em 1972).O presidente Nixon, no café da manhã em Pequim, na companhia de Chou En-lai, em 1972.
Vamos aos fatos. Em 1972, o presidente americano Nixon — que se elegeu em nome do anticomunismo yankee — empreendeu a chamada détente, que numa abordagem rápida poderia se traduzir por abertura aos países comunistas, sobretudo Rússia e China. Assim, Nixon empreendeu “sensacionais” viagens à Rússia e à China, trombeteadas e aplaudidas pela mídia. [foto acima].