João Miguel Tavares: O risco de uma geração desencantada, num país onde não temos de ser os melhores, embora sejamos capazes de coisas extraordinárias

João Miguel Tavares: O risco de uma geração desencantada, num país onde não temos de ser os melhores, embora sejamos capazes de coisas extraordinárias

11/06/2019 0 Por Carlos Joaquim
O presidente das Comemorações do Dia de Portugal em 2019, o jornalista João Miguel Tavares, advertiu hoje que a falta de esperança e as desigualdades de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados.
João Miguel Tavares deixou esta mensagem no discurso que proferiu na cerimónia do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, em Portalegre, numa intervenção que antecedeu a do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em que falou dos progressos registados pela democracia portuguesa, mas também, em paralelo, dos perigos resultantes de fenómenos como a corrupção, que minam o ideal de “meritocracia” e instalam o sentimento de que “o jogo está viciado”.
“A integração na Europa do euro não correu como queríamos, construímos autoestradas onde não passam carros, traçámos planos grandiosos que nunca se cumpriram, afundámo-nos em dívida e ficámos a um passo da bancarrota. Três vezes – três vezes já – tivemos de pedir auxílio externo em 45 anos de democracia. É demasiado”, declarou.
João Miguel Tavares referiu-se aos casos em torno do sistema financeiro “num país amnésico, cheio de gente que não sabe de nada, que não viu nada, que não ouviu nada”.
“Percebemos que a corrupção é um problema real, grave, disseminado, que a justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la. A corrupção não é apenas um assalto ao dinheiro que é de todos nós – é colocar cada jovem de Portalegre, de Viseu, de Bragança, mais longe do seu sonho”, disse.
Antes destas críticas ao atual estado do país, o jornalista frisou que é natural de Portalegre, uma cidade do interior que, na década de 80, “estava a quatro horas de distância de Lisboa” por carro, salientado então que a sua geração, assim como a dos seus pais, beneficiaram muito com o Portugal democrático.