Opinião | Meu teste do tornassol
Ponha o papel (ou o líquido) do tornassol na solução. Teste simples, para pH entre 4,5 e 8,3, mostra de cara se alcalino ou ácido o meio. Ficou azul? Alcalino. Avermelhou? Ácido. O tornassol fica vermelho em baixas concentrações de pH; coloração azul, pH lá em cima. Simples assim.
Fazemos testes de tornassol a toda hora. Uma pergunta ágil, como resposta um silêncio por vezes constrangido e já supomos (em geral na mosca), por onde caminham preferências do interlocutor — mais azuis ou chegadas ao vermelho. Nos mais variados ambientes, é dos mais empregados recursos de orientação. Também simples assim.
Gestos, atitudes, insinuações, olhares, silêncios (tantas vezes mais que palavras claras e posições inequívocas) delatam disposições interiores, desmascaram intenções, expõem situações até então ocultas. Lembro ainda, no mundo oficial, de modo particular, o abuso escandaloso dos eufemismos (o emprego correto tem vantagens óbvias). Os grandes políticos nas suas guerras sem tréguas são mestres na artilharia dos eufemismos. Quando o emprego de tais recursos favorece só um rumo, temos claro ora um padrão de conduta, ora uma mentalidade, ora uma diretriz.
Proponho hoje meu teste de tornassol para ser utilizado como meio de esclarecimento. Não é de hoje acompanho com um pé atrás o noticiário relativo a visitas políticas e empresariais à China. Nelas transparece sempre o compreensível receio de retaliações do governo chinês que possam vir a lesar o enorme superávit comercial com a China, bem como possibilidades de investimento e de crescente comércio. As presentes disputas entre Pequim e Washington tornam ainda mais candente o quadro.
Para que não despenque logo sobre mim uma saraivada de acusações sem base, repito abaixo o que escrevi em dezembro de 2018 em artigo intitulado “O chinês mais rico do mundo”: