Opinião | Ainda sobre a flecha de Notre-Dame
Muito se escreveu sobre o incêndio da catedral de Notre-Dame de Paris, ocorrido no dia 15 de abril, uma segunda-feira da Semana Santa. Contudo, dada a incomensurável relevância do tema, nunca será demasiado retornar a ele.
O trágico incêndio deixou Paris — e o mundo inteiro — estuporado. O desaparecimento de uma joia de beleza única da civilização cristã produzia, no mesmo momento em que acontecia, uma sensação de desamparo, de impotência, de uma perda irremediável.
Notre-Dame, a catedral-escrínio, receptáculo da coroa de Espinhos de Nosso Senhor, a catedral-fortaleza, guardiã da túnica do rei-cruzado São Luís IX, onde o gênio do espírito francês deixou o que de melhor elaborou a Idade Média, ameaçava ruir.
O auge desse sentimento de desamparo, com a correlata tristeza que se abatia sobre os expectadores do sinistro, se deu quando, em meio às gigantescas labaredas, desmoronou-se a flecha da catedral.