OPINIÃO | Liberdade e determinismo

OPINIÃO | Liberdade e determinismo

25/04/2019 0 Por Carlos Joaquim
Todos os seres humanos desejam, mais ou menos, a riqueza, o poder e a saúde; aspiram vivamente a ser amados, ter vida longa, gozar de repouso bem ganho. Contudo, cederiam de bom grado um ou todos estes privilégios se, por esse sacrifício, pudessem obter a liberdade.
Precisa-se ter descido muito baixo, por vontade própria ou à força, na escala dos valores humanos, para aceitar a submissão total a um homem ou grupo de homens. Esta necessidade de liberdade é tão profunda, tão imperiosa, que não só o ser humano consente enormes sacrifícios para a satisfazer mas até nunca alcança, quaisquer que sejam os seus esforços e êxitos, considerar-se satisfeito com o grau de liberdade de que goza.
Por toda a parte e sempre é obcecado pela ideia que não pode fazer absolutamente tudo o que quer. Está sob o peso de constrangimentos; uns aceitados porque são irresistíveis, outros suportados a praguejar porque não parecem impostos a todos indiscriminadamente.
Por exemplo, aceitemos as leis da Física porque são universais e a sua violação arrasta contrariedades, sofrimentos e até a morte. Além disto, a observância destas leis é tão imperiosa para o rei como para o mais baixo dos seus escravos ou o mais infeliz dos seus prisioneiros. Em contrapartida, não aceitamos trabalhar quando os outros descansam, aborrecer-nos quando os outros se divertem, ficar em casa quando os outros viajam ou pagar a preço elevado o que os outros obtém de graça.
Mesmo sem sermos completamente livres, pretendemos gozar de um grau de liberdade igual ao dos nossos vizinhos o que, à falta de melhor, satisfaz pelo menos a nossa necessidade de justiça. Ora, esta necessidade extraordinária de liberdade formula vários problemas. Examinemos os dois primeiros.
O primeiro é saber se esta necessidade incomprimível de fazer o que se queira poderá conciliar-se com a não menos imperiosa necessidade da obediência e da disciplina. O problema não é muito debatido quando formulado a respeito das crianças. Para os adultos, o problemas é muito mais delicado. Ao chegar à idade adulta, pensa-se que cada um pode conduzir-se sem mais entraves, segundo a vontade pessoal. Até chegam a gostar de ter bastante liberdade para exercer o direito e o poder de fazer o que queiram, quando queiram e como queiram. Toda a disciplina torna-se então um atentado contra a liberdade individual.
Contudo ninguém ousaria admitir e defender uma tal definição de liberdade. Não só esta concepção é praticamente inaplicável mas nem poderia obter o nosso assentimento íntimo. Sentimos bem que o nosso ser corpóreo deve agir segundo certas leis inscritas em nós e cuja transgressão provocaria consequências dolorosas. Esta lei íntima é a consciência moral que nos adverte da existência de certas coisas que precisamos não praticar e de outras que precisamos em absoluto fazer para conservarmos a nossa dignidade humana, o respeito individual, a estima dos outros e a aprovação divina, – principalmente os que nela acreditam.