Opinião | O Escravo da consciência
O escravo da consciência! Este titulo lê-se como o de um romance de detectives, pensarás.
Mas enganas-te. Se se pode dizer de um jovem que é senhor da sua vontade e escravo da sua consciência, é a maior honra que se lhe pode fazer. Se fores capaz de permanecer invencível e continuamente fiel a tudo o que a consciência te ordena, és um rapaz de carácter nobre.
Em todos os veículos há um pequeno prego que mal se vê, mas que tem a maior importância: é o do eixo. Se cair, o carro pode continuar a andar ainda durante algum tempo. Mas a roda não tardará a cair e o veículo voltar-se-á.
No caminho do carácter encontrarás também um pequeno princípio, na aparência superficial, mas, de facto, muito importante: a adesão sem reserva à voz da consciência. É indispensável que te tornes servidor submisso, seu dócil cordeiro.
Tem dois inimigos, esta voz da consciência. Primeiro: o mundo que te rodeia e a contradiz quase sempre; segundo: dentro de ti, as tuas desordenadas inclinações, os teus instintos que despertam e que procuram levar-te a não lhe dares ouvidos.
Acontece-te, algumas vezes teres momentos de entusiasmo em que pareces andar pelas regiões etéreas, muito acima dos nevoeiros terrestres; tomas então a resolução firme de seguir sempre a voz da consciência, de jamais abandonar o caminho da honra, de nunca pensar, dizer ou fazer uma coisa que seja considerado pecado, dentro de uma perspectiva teológica. Nestes momentos sentes-te tão leve, tão feliz! Mas, uma hora mais tarde, já te apercebes de que tal ou tal colega, e ainda este e aquele, não observam os mandamentos de Deus que tal livro, tal peça de teatro, tal filme, não fazem senão meter a ridículo os teus nobres princípios, do primeiro ao último. É a provação, talvez a maior das provações; porque, se toda a gente fosse má, como poderias tu permanecer bom? Se todos os teus colegas fossem sem carácter, como poderias tu sozinho permanecer fiel ao teu nobre ideal?…