Opinião | Porquê mentir?

Opinião | Porquê mentir?

17/04/2019 0 Por Carlos Joaquim
É certo serem muitas as pessoas que mentem. E porquê? Muitas vezes por medo… Fizeram alguma coisa que lhes era proibida, receiam ser punidas. É tontice querer apagar uma falta cometendo outra. Muitas vezes a sua «falta» não era mais que um descuido: partiram um copo, entornaram a chávena do café… e agora não dizem a verdade para não serem repreendidas. Assemelham-se àquele que, para apagar uma mancha de lama no fato branco, se espojasse num atoleiro!
Seria mais ajuizado raciocinar assim: «é verdade que cometi uma falta, e que, se a confessar, serei repreendido. Mas, depois? Amanhã a repreensão estará esquecida e eu estarei contente por ter sido franco e honesto. Se, ao contrário, eu consigo, pela mentira, evitar a repreensão, esta mentira fará em minha alma uma ferida profunda com a qual sofrerei por muito tempo porque tirou a paz do meu coração».
Gosto mais de confessar francamente a minha falta: «Fui muito descuidado, fui grosseiro, cometi uma leviandade; esforcei-me por não a repetir, mas castigue-me como entender»! Vês? Ficou assim salva a honorabilidade; e estou persuadido de que, depois de semelhante confissão, não haverá castigo. Mas se o houvesse? Então dirias: «Prefiro sofrer pela justiça a fazer sofrer a justiça por culpa minha»!
Outros há que mentem por cobardia. Entre jovens fala-se, por exemplo, de religião, de princípios morais, de ideal; alguns começam a troçar disso. Seria o momento de se pôr abertamente do lado de Deus, da Igreja; não se atreve com receio de olhares irónicos, prefere-se mentir. É cobardia!
Há-os que mentem por inveja. Louva-se em sua presença um dos seus colegas? «Oh! Ele não é o que se diz! Tem tal defeito!» dizem, caluniando-o.
Para se procurar obter vantagens: «Não foi um «goal», não é verdade, a bola não tocou!».
Por fidelidade mal compreendida, quando, por exemplo, se quer ajudar um amigo a sair de embaraços. Para se gabar: «Oh! Se visses o esplêndido automóvel que tínhamos neste Verão!» ou ainda: «Que maravilhosas aventuras eu tive!» quando é certo que nada ou quase nada disso era verdade.
Na aula, mente-se recitando uma lição que um companheiro sopra do lado, ou copiando o exercício de outro, porque então faz-se figura com alguma coisa que não nos pertence. Nestas ocasiões, o jovem de carácter firme responde à tentação: «Sou demasiado orgulhoso para tentar elevar-me servindo-me de meios indignos».