Pacto entre nazismo e comunismo
Continuando o propósito, exposto em artigo de fevereiro passado, de levar ao conhecimento dos leitores algumas previsões que o Professor Plinio Corrêa de Oliveira apresentou no “Legionário”, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, focalizamos a seguir um dos prognósticos mais sensacionais do fundador da TFP. Isto é, a antecipada denúncia do pacto Ribbentrop-Molotov entre a Alemanha nazista e a Rússia comunista.
Falso dilema: comunismo ou nazismo
Para se compreender melhor o alcance da referida previsão, convém que o leitor considere, ainda que de maneira sucinta, alguns aspectos do quadro político-religioso reinante na época.
As democracias vigentes no início da década de 30, em países da Europa e de outros continentes, estavam corroídas por seu próprio liberalismo, que as conduzia a crescente desagregação social. Nesse contexto, começaram a aparecer no quadro internacional os totalitarismos chamados de ordem, apresentando-se como panacéia em face da anarquia e, ao mesmo tempo, como os únicos bastiões que se opunham à expansão do comunismo soviético. Sua máxima expressão foi o nazismo.
O prestígio que Hitler alcançava tanto na Alemanha quanto no Exterior se devia, em boa medida, ao fato de ser propagandeado pela mídia como o grande adversário do comunismo.
Colocava-se assim para a opinião pública mundial e para a católica, especialmente, uma alternativa: optar pelo comunismo (o que era inaceitável para os católicos numa época feliz, na qual não existia ainda a Ostpolitik vaticana) ou aderir de algum modo ao nazismo e seus congêneres.
Nessa hora de extrema gravidade para a Igreja e a Civilização Cristã, não faltou clarividência, argúcia e coragem ao futuro fundador da TFP para denunciar energicamente, baseado na firmíssima solidez de sua fé e em sua coerente adesão à doutrina católica, que a solução para conjurar a ameaça comunista não consistia em “salvadores” totalitários. Tal solução — sempre insistiu ele — cifrava-se no único Salvador verdadeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo, e nos ensinamentos de sua Santa Igreja.
Não é nossa intenção mostrar aqui a oposição sistemática que o eminente pensador católico desenvolveu contra o nazi-fascismo, denunciando desde o começo dos anos 30 as analogias doutrinárias e de métodos de ação existentes entre este e o comunismo.1