Oportuno e corajoso pronunciamento de Dom Athanasius Schneider

Oportuno e corajoso pronunciamento de Dom Athanasius Schneider

22/03/2019 0 Por Carlos Joaquim
A posição adotada pelo bispo auxiliar de Astana a respeito das consequências canônicas da constatação pública do crime de heresia por parte de um Papa — no sentido de negar que, em qualquer eventualidade, ele venha perder o Papado — enriquece o debate teológico e agrega-se às duas posições até aqui admitidas como teologicamente mais prováveis, ou seja, a da perda automática do cargo (tese de S. Roberto Bellarmino, retomada nas últimas décadas por Arnaldo Xavier da Silveira) e a da deposição pela Igreja (tese do Cardeal Cajetano, retomada nos últimos anos por John Salza e Robert Siscoe).
Mais importante do que esse enriquecimento do debate, porém, é a grande oportunidade das sugestões práticas que ele propõe para orientar a atitude dos fiéis, válidas em quaisquer das três hipóteses aventadas. Tanto mais quanto, do ponto de vista teórico, trata-se de uma matéria opinável, posto que a Igreja nunca se exprimiu magistralmente a respeito.
Do ponto de vista prático, Dom Schneider relembra adequadamente que, em situações extraordinárias, “a saúde doutrinária e moral da Igreja não depende exclusivamente do papa”, uma vez que ela pode ser assegurada pela “fidelidade do ensinamento dos bispos e, em última instância, também pela fidelidade do conjunto dos fiéis leigos”.
O prelado também relembra que “ao tratar do trágico caso de um papa herege, todos os membros da Igreja, começando pelos bispos, até os fiéis simples, têm que usar todos os meios legítimos, como correções privadas e públicas do papa errante, constantes e ardentes orações eprofissões públicas da verdade, para que a Sé Apostólica volte a professar com clareza as Verdades Divinas, que o Senhor confiou a Pedro e a todos os seus sucessores”.