Frio e fome, os relatos de quem sobreviveu ao ciclone Idai em cima de árvores

Frio e fome, os relatos de quem sobreviveu ao ciclone Idai em cima de árvores

20/03/2019 0 Por Carlos Joaquim
O frio e a fome foram dois dos desafios enfrentados por quem sobreviveu em cima de árvores e edifícios às cheias provocadas pelo ciclone Idai no centro de Moçambique.
“Foram três dias e noites que ficámos em cima de uma árvore”, relatou à Rádio Moçambique um residente de Dombe, povoação a cerca de 30 quilómetros do Zimbabué, na província de Manica.
A comunidade rural fica a cerca de 150 quilómetros em linha reta da cidade da Beira, a mais afetada pelo ciclone.
A distância ilustra o caminho percorrido pela tempestade, que semeou destruição de uma ponta à outra do centro de Moçambique.
Entre domingo e terça-feira, a policial fluvial de Dombe recolheu 11 corpos do rio Lucite e estimou ter salvo mais de 100 das cheias naquelas margens e nas de outros cursos de água da região, muitas amparadas pela vegetação.
Os residentes que se salvaram contaram ter enfrentado fome e frio, depois de uma fuga à subida dos caudais que não lhes deixou outro caminho senão procurar o sítio mais alto.
“Fomos e subimos à árvore, durante dois dias”, referiu outro residente de um grupo que inclui famílias inteiras e que relatou o que passou.