Quando os enólogos se descobrem cervejeiros

30 de Junho, 2018 0 Por Carlos Joaquim
P
 
 

Fugas

 
 
  Alexandra Prado Coelho  
O que é que a cerveja tem a ver com o vinho? São duas bebidas alcoólicas, isso é claro, mas muitas vezes parecem pertencer a universos completamente diferentes – e terem consumidores com perfis também diferentes. Mas isso está a mudar, como o Luís Octávio Costa conta nesta edição da Fugas (com a ajuda da Mara Gonçalves, que visitou a Dois Corvos, em Lisboa, e da Luísa Pinto, que entrevistou João Roquette, do Esporão, que acaba de comprar a Sovina). Primeiro foi o universo das cervejas artesanais que explodiu em Portugal, agora são enólogos que se descobrem cervejeiros e que se lançam a perceber o que pode acontecer quando se fundem os poucos ingredientes da cerveja artesanal com vinho. Assim, nas adegas aparecem barricas onde se envelhece cerveja e, noutras experiências, há cervejas que repousam à noite debaixo de videiras. Os primeiros resultados começam a surgir e os enólogos-cervejeiros (ou vice-versa) não escondem o entusiasmo com o potencial deste encontro de dois mundos. 
A Geórgia também é terra de vinhos, mas não é disso que falamos desta vez. O Umberto Lopes andou por Tbilissi, a capital, e deixou-se fascinar pelo seu cosmopolitanismo e ecletismo arquitectónico. É, escreve ele, uma cidade clássica, moderna, vanguardista, com centenas de graffiti com mensagens visuais e textos, um número crescente de galerias de arte, músicos de rua à volta da Liberty Square e ao longo da elegante Av. Rustaveli. Vamos espreitar?
E se começámos a falar de cerveja e vinho, temos também lugar para a água nesta edição. A Cristiana Faria Moreira andou pelas termas de São Pedro do Sul e do Luso (e passeou ainda pela Mata do Buçaco) e ficou a saber que as famosas “águas que curam” já cabem num pequeno frasco que podemos levar para casa. São as termas, agora renovadas (e no centro do país organizadas numa rede que inclui 18 destes espaços), a apostar cada vez mais nas linhas de cosmética, dos cremes aos sabonetes, passando pelos óleos. 
Esta semana, os protagonistas são dois: Ruben Dias e Mischa Gelb. A história? Andam a dar a volta ao mundo em helicóptero. O português e o canadiano já passaram por 30 países, acumularam mais de 300 horas de voo e 45 mil quilómetros. Pelo caminho organizam palestras gratuitas para falar do projecto (um dos grande objectivos é fazer a travessia entre antípodas mais rápida de sempre em helicóptero e bater por 18 dias a única equipa que alguma vez o fez).  A Mara Gonçalves foi ouvi-los e conta tudo aqui
Eu, desta vez, não fui dar a volta ao mundo. Fui só até Cascais, assistir à wine summit Must – Fermenting Ideas. Mas acabou por ser também uma viagem, como se pode perceber nesta entrevista com Debra Meiburg, jornalista, autora de livros e especialista no mercado asiático de vinhos. Debra explica que há muitos mercados distintos na Ásia e que cada um tem as suas características, pelo que a abordagem tem que ser diferente. Falámos sobretudo da China e ela deixou conselhos e um aviso: “A maior parte dos chineses ainda está a tentar perceber onde fica Portugal”. Por isso, mantenham a mensagem simples. O potencial está lá. 
E pronto. Há, como sempre, muito mais para ler na Fugas, de sugestões de locais onde dormir à crítica de vinhos, passando pelos novos espaços que abriram (desta vez, o renovado Ferroviário, em Lisboa). Passem por aqui e vejam tudo o que propomos. Eu despeço-me porque na próxima semana já vão reencontrar por aqui a Sandra Silva Costa.