Uma viagem retro até Miami, a extraordinária vida de Nelo e o sucesso da cozinha portuguesa

30/09/2017 0 Por Carlos Joaquim
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Fugas

 
 
  Alexandra Prado Coelho  
Foi no Retrojet, o avião retro da TAP, com as hospedeiras vestidas com as icónicas fardas da companhia desenhadas por Louis Féraud e um menu a recordar tempos idos, que a Andreia Marques Pereira viajou até Miami. E, para não destoar, fez também aí uma viagem no tempo para descobrir, entre muitas outras coisas, que foi um casal comunista – sobretudo a mulher, Barbara Capitman – quem “salvou” South Beach (SoBe), protegendo os hotéis Art Déco e, assim, permitindo que estes se tornassem a imagem de marca de Miami.
Numa visita guiada por um voluntário da Miami Design Preservation League, a Andreia percorreu as ruas e as histórias “de como um território inóspito se tornou numa meca do turismo, tornada meca de reformados, tornada meca da criminalidade, tornada meca da moda, tornada na meca latino-americana dos Estados Unidos”. E, sim, esta história passa também por Miami Vice – e até por Scarface e Al Pacino. Mas leva-nos ainda a Wynwood, com a sua arte de rua, e ao Design District. Porque Miami está a piscar cada vez mais o olho à cultura numa mistura entre passado e presente a que, como escreve a Andreia, “os locais se refeririam como ‘it’s sooo Miami’. 
E, do hedonismo e kitsch de Miami passamos, guiados por Sousa Ribeiro, para a sobriedade de uma cidade europeia: Danzig (hoje Gdansk), a antiga “cidade livre”, cenário de infância de Oskar, personagem – uma das mais marcantes da literatura do século XX – de O Tambor, obra de Günter Grass. E, quem vai a Gdansk não deve deixar de completar o triângulo que a cidade faz com Dgynia e Sopot e que, aconselha Sousa Ribeiro, se deve visitar pelo menos uma vez na vida. 
O Protagonista desta semana, trazido por Luís Octávio Costa, é uma personagem surpreendente. Manuel Ramos, mais conhecido como Nelo, começou com uma fábrica de 50 metros quadrados e acaba de inaugurar em Vila do Conde outra que “parece um hangar de aviões – com 16 mil metros quadrados e 110 funcionários”. O que faz? Caiaques. E é relevante sabermos que nos últimos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, só um caiaque sem a marca Nelo é que ganhou uma medalha. Os outros eram todos deste homem que faz a visita guiada à linha de montagem numa bicicleta (com o Nelson Garrido a fotografá-lo). E que é um viajante entusiástico, como vão descobrir. 
Na secção de gastronomia, tanto eu como o José Augusto Moreira entusiasmámo-nos ao assistir a dois momentos em que a cozinha portuguesa fez sucesso noutros países. O José Augusto foi até Silicon Valley para conhecer a fantástica história de Jéssica e David, o casal de cozinheiros que abriu o Adega, em San José, Califórnia, apostando na comida e nos vinhos portugueses e que em menos de um ano conquistou uma estrela Michelin.
Eu fiz um voo mais pequeno, até Düsseldorf, na Alemanha, para uma feira da Makro, na qual mais de uma dezena de chefs portugueses foi mostrar coisas diferentes, como moreia frita, ovas de polvo ou “caril do mar”, surpreendendo todos os que passaram pelo stand de Portugal. 
Fomos também conhecer a Frutaria, um novo bar de Lisboa que aposta na fruta para saladas, sumos, smoothies ou sandes. A Cristiana Moreira ouviu a história de Pedro Oliveira, que acaba de abrir este espaço na Rua dos Fanqueiros, e conheceu o menu. 
Nos vinhos, Pedro Garcias volta a um tema polémico: a forma como prémios menores são noticiados com evidente exagero pela comunicação social. “E o melhor vinho do mundo é… português, claro” é o título da crónica, onde se analisa a influência excessiva das agências de comunicação no trabalho dos jornalistas. 
Vale a pena voltar aqui

Os cozinheiros andam a brincar com o fogo

Um jantar (quase) à luz da fogueira no meio de uma horta. Ljubomir Stanisic, João Rodrigues e Manuel Maldonado a cozinhar “sem rede” no Sublime Comporta.