[Nota histórico-cultural: Pirro foi um rei do Épiro que fez uma campanha contra Roma no séc. III a. C.. Depois de ganhar uma batalha em Ásculo, na Apúlia, na qual perdeu milhares de homens, quando lhe deram os parabéns, terá respondido: “Mais uma vitória como esta, e estou perdido.”. Daí nasceu a expressão ‘vitória de Pirro’]
Voltando ao Reino Unido, e a uns resultados a que nem os britânicos conseguirão achar piada, apenas o afastamento do UKIP do Parlamento e a subida dos europeístas dos LibDem (liberais democratas) são motivos para celebrar. Quanto a May, que quis ser (ou parecer) tão dura que pôs a hipótese de revogar alguns aspetos dos Direitos do Homem, adversários e amigos aconselham-na a sair do nº 10 de Downing Street. Já Corbyn, que muitos acusaram de ter um programa de regresso ao passado, como se o mundo não tivesse mudado, o que tem o seu quê de verdade, levou os Trabalhistas a uma derrota vitoriosa. Ficaram a dois pontos dos Tories, mesmo que a conversão em mandatos reflita uma diferença maior.
A Comunicação Social inglesa tem os resultado pormenorizados. A BBC aqui; o Daily Telegraph aqui, o The Guardian aqui. E aqui no Expresso pode encontrar também toda a informação em português.
Na Alemanha haverá eleições, provavelmente em Setembro (a data precisa ainda não está marcada e podem ser de 27 de agosto a 22 de outubro). As sondagens colocam Angela Merkel, da CDU, na dianteira depois de, durante algum tempo, o anúncio de Martin Schulz como candidato a chanceler do SPD ter deixado os dois partidos mais próximos. Haverá, provavelmente, mais eleições. Na Itália é quase certo que sejam antecipadas para o Outono e até em Espanha, desde a vitória de Pedro Sánchez no PSOE, que se coloca a hipótese de derrubar o governo minoritário de Mariano Rajoy e forçar eleições. Há muito caminho ainda na Europa.
Parece que Trump mentiu. Mas isso será notícia? De qualquer modo, o ex-diretor do FBI, James Comey jurou no Senado americano que o Presidente o quis difamar e mentiu acerca dele. Mais: sabendo que os russos entraram em força e cheios de tecnologia nas eleições americanas, não mostrou qualquer interesse nisso. O The New York Times afirma que talvez tenha sido a mais grave acusação feita a um Presidente por alguém de dentro do sistema. Outros jornais americanos salientam que o Presidente não ficou KO (mas mais um murro assim e pode estar perdido)
António Costa, no Parlamento foi ontem atacado em várias frentes – pela esquerda e pela direita. Mas, especialista em só dizer o que quer, o primeiro-ministro aguentou o embate. E vamos andando…
Na frente cultural Manuel Alegre venceu o Prémio Camões. O anúncio deste prémio de literatura lusófona foi feito pelo júri na Biblioteca do Rio de Janeiro. O próprio considerou ‘natural’.
E agora vamos ao que interessa a uma grande parte dos portugueses: logo, pelas 19:45 horas, há o Letónia-Portugal, mais um jogo de apuramento para o Mundial da Rússia em 2018. Ronaldo, como acontece desde há anos, é a vedeta em quem todos têm os olhos.
Sérgio Conceição já está no FC Porto. O clube anunciou que tinha contratado o ex-treinador do Nantes por duas épocas. Sérgio disse que não vinha aprender, mas ensinar. Começa ao ataque, depois logo se verá.
Ufff…. Estava a ver que fazia um Expresso Curto sem falar do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Mas não. Amanhã é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades e o Chefe do Estado dá condecorações. Sabe-se que a três militares, um de cada ramo das Forças Armadas. O primeiro Presidente com comemorações transatlânticas, começa no Porto e acaba no Brasil. Seguramente, haverá abraços e beijinhos suficientes.
E agora os nossos jornais matinais:
O Correio da Manhã informa que o efeito surpresa da investigação ao Benfica foi prejudicado pelo facto de ter havido um anúncio público da mesma. Depois temos Ronaldo e o espião português que ganhou 10 mil euros dos russos.
No Diário de Notícias, afirma-se que o trabalho efetivo vale menos 16% desde a saída da troika. Ainda tem uma nota para a vitória amarga de Theresa May.
No Público, o prémio de Manuel Alegre ocupa meia página, há uma nota sobre as projeções não darem maioria a May, mas a manchete é que a greve dos juízes é ilegal garante Jorge Miranda; algo que no domingo Vital Moreira havia escrito no blogue onde participa, o Causa Nossa (e vale a pena ler os outros três posts que colocou sobre o assunto, um deles criticando o Governo por negociar com os magistrados).
No I há 20 portugueses a dizerem o que mais gostam em Portugal e uma entrevista com José Eduardo Agualusa (num cantinho ainda se afirma que Theresa May não teve maioria).
No Jornal de Notícias salta que Contratos precários disparam e só pagam salário mínimo, além de declarações de Sérgio Conceição e o prémio de Alegre.
No Jornal de Negócios o grande título é May treme e o segundo destaque vai para Governo propõe gestão concentrada para malparado.
Os desportivos enchem-se com a frase de Sérgio Conceição sobre vir para o Porto para ensinar e com o jogo desta noite contra a Letónia.
Para o futuro diretor do SIRP (seja ele quem for): “O bem público requer que se atraiçoe, que se minta e que se massacre”, Michel de Montaigne (1533-1592), Ensaios III-1.
Para os magistrados que defendem a delação premiada: “O direito aplicado com exagero é extremamente injusto”, Cícero (106-43 a.C.), De Legibus X.
Para Mário Centeno, o Ronaldo das Finanças: “Ó deuses, podia estar confinado numa casca noz e crer-me o rei do espaço infinito”, William Shakespeare (1564-1616), Hamlet, II – 2.
Para os partidos (PCP e BE) que sustentam o PS no Governo: “A palavra Revolução é uma palavra pela qual se mata, pela qual se morre, pela qual se mandam trabalhadores para a morte mas que não possui qualquer conteúdo”, Simone Weil (filósofa – 1903 – 1943), Opressão e Liberdade.
Para Passos Coelho, o pessimista de serviço: “O destino ajuda a quem o aceita e arrasta a quem lhe resiste”, Séneca (4 a.C. – 65), Epístola a Lucílio.
Para António Costa, o otimista de serviço: “A vida é curta, a arte duradoura, a crise efémera, a experiência arriscada e a decisão difícil”, Hipócrates (cerca de 460 a.C. – 377 a.C.), Aforismos.
Para o Presidente dos afetos, Prof. Marcelo: “Um afeto é uma convicção”, Vitor Hugo (1802 – 1885), As Contemplações.
Para todos os suspeitos, arguidos e acusados de corrupção: “A corrupção é o mais infalível dos sintomas de liberdade constitucional”, Edward Gibbon (1737 – 1794), Declínio e Queda do Império Romano.
Para os jornalistas: “O jornalismo consiste basicamente em dizer ‘Lorde Jones morreu’ a pessoas que jamais souberam que Lord Jones estava vivo” G.K. Chesterton (1874 – 1936)
Ora bem, como sabem (isto é uma bengala, porque não sabem nada) O Caos gerou Gaia e Urano, os quais deram origem ao Oceano, que casou com Tétis e ambos tiveram vários filhos, entre os quais Metis que relacionando-se com Zeus, gerou Atena. Outros filhos importantes foram Céos, antepassado de Apolo e de Artemisa; Mnemosine (a memória) que junta com Zeus geraram as musas (da Tragédia, da História, da Épica, da Música, do Romantismo, dos Hinos, da Dança, da Comédia e da Astronomia) e, sobretudo Cronos, o qual com Reia foram pais de Zeus, o maior do Olimpo, de Hades, o senhor dos Infernos e de Poseidon, senhor dos mares. Bem, confusão aumenta que nem numa telenovela mexicana quando começam todos a procriar uns com os outros. Eis porque eu sinto a absoluta vantagem de ler o Almanaque de Gotha do Olimpo (para quem não saiba o Almanaque de Gotha desde 1763 relaciona todas as casas reais e a alta nobreza).
A Routledge fez, portanto, o Who is Who in Classical Mythology (Quem é quem na mitologia clássica) que eu tenho (oferecido por uma amiga) há 23 anos, mas só agora me dediquei a ele. É extraordinário como podemos perceber o nosso mundo apenas lendo sobre os descendentes de Eneias, da Casa Real de Tróia, dos sucessores de Tantalo, ou da casa Real de Atenas, ou Tebas ou Leda ou ainda os filhos e netos de Prometeu e conhecer os deuses e titãs.
Não é como Jacques o Fatalista de Diderot, livro lido há muito, mas que ainda recomendo, o qual dizia que “está tudo escrito lá em cima”, mas quase. Está tudo escrito lá atrás. Na época clássica. Não há traição, coragem, vaidade, modéstia, despojamento, egoísmo ou o que aqui mais ponham que não estivesse já então descrito. E ainda há rapaziada com responsabilidades na Educação que acha que os estudos clássicos são uma maçada desinteressante.
