Sem diabo nem crise política, Passos enfrenta as autárquicas
“Se
isto estivesse a correr mal ao Governo, Passos Coelho tinha
encontrado um bom candidato para Lisboa”, diz o sociólogo Pedro
Adão e Silva.
isto estivesse a correr mal ao Governo, Passos Coelho tinha
encontrado um bom candidato para Lisboa”, diz o sociólogo Pedro
Adão e Silva.
| As autárquicas em Lisboa podem ser um teste para Passos? NUNO FERREIRA SANTOS |
20 de Março de 2017, 6:07
Nem
o diabo chegou, nem qualquer crise política estalou em Portugal. Se
estes cenários de instabilidade passaram pela cabeça do presidente
do PSD, eles não se concretizaram. O que aconteceu foi a escolha de
um nome para liderar a candidatura à autarquia de Lisboa que
levantou polémica no próprio partido. Mas as consequências do
resultado das eleições autárquicas, sobretudo na capital, na
liderança de Passos Coelho são imprevisíveis.
o diabo chegou, nem qualquer crise política estalou em Portugal. Se
estes cenários de instabilidade passaram pela cabeça do presidente
do PSD, eles não se concretizaram. O que aconteceu foi a escolha de
um nome para liderar a candidatura à autarquia de Lisboa que
levantou polémica no próprio partido. Mas as consequências do
resultado das eleições autárquicas, sobretudo na capital, na
liderança de Passos Coelho são imprevisíveis.
“Se
isto estivesse a correr mal ao Governo, Passos Coelho tinha
encontrado um bom candidato para Lisboa.” A tese é do sociólogo
Pedro Adão e Silva que considera que houve um “desinvestimento”
nas escolhas dos candidatos do PSD às autarquias de Lisboa e do
Porto. Pedro Adão e Silva escreveu no Twitter: “As escolhas do PSD
para Lisboa e Porto revelam que Passos Coelho estava mesmo convencido
que teria legislativas antes das autárquicas”. Ao PÚBLICO, o
sociólogo reafirmou: “Estas escolhas não se fazem à última
hora. Para ter nomes fortes e competitivos era preciso ter trabalhado
com tempo, o que não aconteceu no caso do PSD.”
isto estivesse a correr mal ao Governo, Passos Coelho tinha
encontrado um bom candidato para Lisboa.” A tese é do sociólogo
Pedro Adão e Silva que considera que houve um “desinvestimento”
nas escolhas dos candidatos do PSD às autarquias de Lisboa e do
Porto. Pedro Adão e Silva escreveu no Twitter: “As escolhas do PSD
para Lisboa e Porto revelam que Passos Coelho estava mesmo convencido
que teria legislativas antes das autárquicas”. Ao PÚBLICO, o
sociólogo reafirmou: “Estas escolhas não se fazem à última
hora. Para ter nomes fortes e competitivos era preciso ter trabalhado
com tempo, o que não aconteceu no caso do PSD.”
A
ideia de que Passos poderá não ter valorizado o suficiente estas
autárquicas tem eco na entrevista que a própria líder centrista, e
candidata a Lisboa, Assunção Cristas, deu ao PÚBLICO. Nela afirmou
que, “em final de Agosto”, o presidente do PSD “entendia
que podia
haver um risco de eleições legislativas antes das eleições
autárquicas”.
ideia de que Passos poderá não ter valorizado o suficiente estas
autárquicas tem eco na entrevista que a própria líder centrista, e
candidata a Lisboa, Assunção Cristas, deu ao PÚBLICO. Nela afirmou
que, “em final de Agosto”, o presidente do PSD “entendia
que podia
haver um risco de eleições legislativas antes das eleições
autárquicas”.
Só
que não houve crise nenhuma. E isto poderá ter afastado peças do
xadrez político: Pedro Adão e Silva entende que, se a vida até
corre bem ao executivo socialista, que sociais-democratas avançariam
para este combate político? “As circunstâncias são muito
adversas”, diz o sociólogo, insistindo que isso afasta os
“protagonistas” da corrida que se avizinha. Sem arriscar grandes
previsões, Pedro Adão e Silva admite que é possível, claro, que a
liderança de Passos fique “mais fragilizada” se houver uma
derrota do PSD em Lisboa.
que não houve crise nenhuma. E isto poderá ter afastado peças do
xadrez político: Pedro Adão e Silva entende que, se a vida até
corre bem ao executivo socialista, que sociais-democratas avançariam
para este combate político? “As circunstâncias são muito
adversas”, diz o sociólogo, insistindo que isso afasta os
“protagonistas” da corrida que se avizinha. Sem arriscar grandes
previsões, Pedro Adão e Silva admite que é possível, claro, que a
liderança de Passos fique “mais fragilizada” se houver uma
derrota do PSD em Lisboa.
Se
dúvidas houvesse sobre as consequências que o resultado eleitoral
de umas autárquicas pode ter no governo e nas lideranças dos
próprios partidos, bastaria recuar, por exemplo, até 2001 para
desfazê-las. Foi o ano em que o então primeiro-ministro António
Guterres entendeu ser seu “dever” apresentar a demissão, o que
levou a eleições antecipadas. Fê-lo para evitar que o país caísse
num “pântano político” e porque estava em causa a “relação
de confiança entre governantes e governados”. As duas expressões
foram repetidas três vezes na comunicação feita ao país. A razão
do socialista era esta: a derrota que o PS, ultrapassado pelo PSD,
sofreu nas eleições autárquicas em 2001.
dúvidas houvesse sobre as consequências que o resultado eleitoral
de umas autárquicas pode ter no governo e nas lideranças dos
próprios partidos, bastaria recuar, por exemplo, até 2001 para
desfazê-las. Foi o ano em que o então primeiro-ministro António
Guterres entendeu ser seu “dever” apresentar a demissão, o que
levou a eleições antecipadas. Fê-lo para evitar que o país caísse
num “pântano político” e porque estava em causa a “relação
de confiança entre governantes e governados”. As duas expressões
foram repetidas três vezes na comunicação feita ao país. A razão
do socialista era esta: a derrota que o PS, ultrapassado pelo PSD,
sofreu nas eleições autárquicas em 2001.
Para
Pedro Adão e Silva, o teste é feito sobretudo nas autarquias de
Lisboa e do Porto, mas para José Santana-Pereira não. Este
politólogo entende que, para haver aquele tipo de implicações
nacionais, é necessário que a derrota ultrapasse a autarquia de
Lisboa e se estenda ao resto do país.
Pedro Adão e Silva, o teste é feito sobretudo nas autarquias de
Lisboa e do Porto, mas para José Santana-Pereira não. Este
politólogo entende que, para haver aquele tipo de implicações
nacionais, é necessário que a derrota ultrapasse a autarquia de
Lisboa e se estenda ao resto do país.
Uma
derrota do principal partido da oposição nas autárquicas em Lisboa
não é uma novidade, ou “uma estreia” para o PSD: aconteceu, por
exemplo, em 1997, 2007, em 2009, recorda Santana-Pereira. Apesar de
isto poder dar ao partido “alguma margem de manobra” para “lidar
com um mau resultado em Lisboa”, não é de todo “descabido”,
diz o investigador, “imaginar que uma derrota em Lisboa,
acompanhada por uma considerável derrota ao nível nacional,
desestabilize as actuais estruturas de liderança do PSD”.
derrota do principal partido da oposição nas autárquicas em Lisboa
não é uma novidade, ou “uma estreia” para o PSD: aconteceu, por
exemplo, em 1997, 2007, em 2009, recorda Santana-Pereira. Apesar de
isto poder dar ao partido “alguma margem de manobra” para “lidar
com um mau resultado em Lisboa”, não é de todo “descabido”,
diz o investigador, “imaginar que uma derrota em Lisboa,
acompanhada por uma considerável derrota ao nível nacional,
desestabilize as actuais estruturas de liderança do PSD”.
Mas
em política tudo, e o seu contrário, é possível: Santana-Pereira
pegou nos resultados das autárquicas nos últimos 30 anos e
verificou que não é muito comum um partido na oposição perder
essas eleições. Por outro lado, “se a eleição autárquica é
muito colada à legislativa, é natural que o partido na oposição
perca, visto que o vencedor das legislativas está ainda em período
de ‘lua-de-mel’”, ressalva. De qualquer maneira, insiste, “a
ser esse o caso em 2017, não seria a primeira vez que um PSD na
oposição teria um resultado pouco brilhante nas autárquicas”.
em política tudo, e o seu contrário, é possível: Santana-Pereira
pegou nos resultados das autárquicas nos últimos 30 anos e
verificou que não é muito comum um partido na oposição perder
essas eleições. Por outro lado, “se a eleição autárquica é
muito colada à legislativa, é natural que o partido na oposição
perca, visto que o vencedor das legislativas está ainda em período
de ‘lua-de-mel’”, ressalva. De qualquer maneira, insiste, “a
ser esse o caso em 2017, não seria a primeira vez que um PSD na
oposição teria um resultado pouco brilhante nas autárquicas”.
O
investigador sublinha, no entanto, “que a competição eleitoral em
Portugal não é um combate dual, entre PS e PSD, e que ao nível
autárquico a CDU e alguns independentes têm uma capacidade de
atracção de votos e conquista de câmaras que não é despicienda
nem deve ser ignorada”.
investigador sublinha, no entanto, “que a competição eleitoral em
Portugal não é um combate dual, entre PS e PSD, e que ao nível
autárquico a CDU e alguns independentes têm uma capacidade de
atracção de votos e conquista de câmaras que não é despicienda
nem deve ser ignorada”.
Fonte: Público