“Este é um dos grandes desafios e desideratos num futuro imediato”, disse a ministra, adiantando que será possível executar um tal programa depois das eleições gerais a terem lugar no segundo semestre deste ano.
Além da aposta na agricultura e na indústria, a ministra defendeu que se garanta o escoamento dos produtos do campo para as vilas e cidades, bem como o funcionamento de uma rede eficaz de transportes que atinja todo o país. Uma particular atenção, sublinhou, vai ser dada a Luanda, que alberga 27 por cento da população angolana.
Carolina Cerqueira referiu-se à actual conjunta mundial, marcada por uma crise económica e financeira. “Vivemos um momento de sacrifício que atingiu quase todos os países do mundo. Temos de perceber que hoje o mundo já não é o mesmo que era há cinco anos. O nosso país também não é o mesmo porque as famílias angolanas enfrentam momentos muito difíceis devido à diminuição da qualidade de vida que muito nos atinge nos últimos anos”, realçou.
Carolina Cerqueira disse que a crise veio provocar uma grande quebra no incremento das políticas públicas de inclusão social que vinham sendo executadas no país após o final da guerra, em 2002. “Os recursos diminuíram consideravelmente, de modo que temos que os racionalizar para não nos faltar o essencial e para que a economia angolana possa receber inputs para uma recuperação a breve trecho”, apelou.
Relativamente ao 4 de Fevereiro de 1961, a ministra da Cultura afirmou que a História de Angola está repleta de heróis que marcaram com as suas palavras, actos e até mesmo com o seu próprio sangue, uma postura digna de representantes do seu povo, que não concordava com a presença das autoridades coloniais e com a subalternização dos angolanos na sua própria terra.
“Rendemos homenagem a todos quantos resistiram ao poder colonial e a todos quantos lutaram, com armas na mão, para a libertação da Pátria Angolana”, sublinhou, e apelou à juventude para estudar a história do país e honrar os seus heróis, muitos dos quais ainda em vida.
O governador provincial de Luanda exortou a população a ter mais atenção em relação às questões de saúde pública para a rápida diminuição ou eliminação de doenças como a cólera ou a raiva. Higino Carneiro, que interveio no acto na qualidade de anfitrião, anunciou que a capital regista, mas de modo controlado, casos de cólera, com origem na província do Zaíre, o epicentro do surto.
Higino Carneiro disse igualmente serem preocupantes os índices de criminalidade e sinistralidade rodoviária em Luanda, apesar das acções no sentido da sua diminuição. Apelou à população a tomar medidas cautelares para se evitar que os mesmos ocorram.
O acto central do 56.º aniversário do Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional contou com a presença de membros do Executivo, deputados a Assembleia Nacional, da Associação 4 de Fevereiro e de representantes de partidos com assento no Parlamento, além de outros convidados e população.
A 4 de Fevereiro de 1961, patriotas angolanos desencadearam um ataque à Cadeia de São Paulo e à Casa de Reclusão, em Luanda, dando início à Luta Armada de Libertação Nacional que culminou com a proclamação da Independência do país, a 11 de Novembro de 1975. Em todas as províncias do país foram realizados actos locais para assinalar a efeméride, que este ano decorreu sob o lema “Honremos os heróis de Fevereiro, construindo um futuro melhor”.
Aposta na educação
No Cunene, o vice-governador provincial para o Sector Político e Social, José Veyeleinge incentivou a juventude a apostar seriamente na formação académica e profissional, para contribuir no desenvolvimento do país. José Veyeleinge disse que a juventude deve cumprir de forma organizada a sua missão natural de força motriz do desenvolvimento político, económico e social de uma sociedade ou país.
“Os jovens têm a responsabilidade de assegurar o seu futuro, estudando, fazendo as melhores escolhas e tomando decisões acertadas”, defendeu o político, que criticou o imediatismo de alguns jovens como uma das vias escolhidas para alcançar os seus propósitos. A juventude, insistiu, deve apostar na construção de uma nova mentalidade e lembrou que a vida é feita de sacrifícios e trabalho. “Só assim é que se podem concretizar os sonhos”, disse.
Relativamente à efeméride, José do Nascimento Veyeleinge considerou que o 4 de Fevereiro de 1961 constitui um marco indelével na História da resistência contra o regime fascista colonial português para o alcance da Independência Nacional. A mesma opinião é partilhada pelo vice-governador do Namibe para a Área Técnica e Infra-estruturas, António Correia, que reconhece o 4 de Fevereiro como ponto de partida para que Angola e os angolanos chegassem ao patamar de igualdade de todas as nações e, consequente, para que a formação de quadros que o país hoje conta e as altas tecnologias pudessem ser desfrutadas.
Apontou ainda como benefícios da liberdade, a expansão do ensino em todas as comunidades do país, o desenvolvimento do desporto, da ciência e de outros sectores, bem como o nível de respeitabilidade que o país granjeia ao nível internacional. António Correia, que intervinha na cidade de Moçâmedes momentos depois de ter procedido à deposição de uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido, no quadro das comemorações do 4 de Fevereiro, defendeu que se deve sempre prestar uma singela homenagem aos heróis que deram início à luta armada de libertação nacional.
“Se não fosse o 4 de Fevereiro, não podíamos, eventualmente, chegar à Independência Nacional. É com o 4 de Fevereiro que chegamos ao progresso que registamos hoje, que nos trouxe ao patamar de igualdade de todas as nações”, realçou António Correia.
A vice-governadora provincial do Moxico para o Sector Político e Social apelou à população para que continue a acreditar no Executivo angolano, pois mantém-se firme no seu compromisso de proporcionar o bem-estar, apesar da crise económica e financeira internacional.
Adriana Bento, que discursava no município do Léua, disse que apesar das dificuldades financeiras, o Executivo continua a construir várias infra-estruturas.