Dívidas em atraso voltam a aumentar como em 2012
Execução
até outubro diz que receita continua a ser o motor da descida do
défice: aumentou 1,7%. Despesa subiu 1,1%, mas ritmo é inferior ao
previsto no OE 2016, cerca de 5,6%
até outubro diz que receita continua a ser o motor da descida do
défice: aumentou 1,7%. Despesa subiu 1,1%, mas ritmo é inferior ao
previsto no OE 2016, cerca de 5,6%
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| Governo de António Costa e Mário Centeno está a atrasar pagamentos, mas consegue reduzir a dívida | EPA/ANTONIO COTRIM |
O
valor em dívidas atrasadas do setor público aos fornecedores (mais
de 90 dias de atraso) aumentou 14% em outubro face a igual mês de
2015, para 1161 milhões de euros, a maior subida de que há registo.
Esta série só começou a ser divulgada em setembro de 2011 (com
dados a partir de junho desse ano) por iniciativa do anterior governo
PSD-CDS. As variações homólogas só são possíveis de fazer de
junho de 2012 em diante.
Mas,
tal como no passado, são os hospitais EPE (entidades públicas
empresariais) que explicam a dilatação do montante das dívidas que
estão por pagar há mais de 90 dias, indica o Ministério das
Finanças na síntese da execução orçamental até outubro, ontem
divulgada.
tal como no passado, são os hospitais EPE (entidades públicas
empresariais) que explicam a dilatação do montante das dívidas que
estão por pagar há mais de 90 dias, indica o Ministério das
Finanças na síntese da execução orçamental até outubro, ontem
divulgada.
Se
esse passivo de 1,2 mil milhões de euros tivesse de ser
regularizado, a despesa teria de aumentar na mesma proporção. Adiar
pagamentos acaba, assim, por ser mais uma ajuda para os cofres do
Estado, já que exige um menor esforço imediato à Tesouraria dos
serviços públicos.
esse passivo de 1,2 mil milhões de euros tivesse de ser
regularizado, a despesa teria de aumentar na mesma proporção. Adiar
pagamentos acaba, assim, por ser mais uma ajuda para os cofres do
Estado, já que exige um menor esforço imediato à Tesouraria dos
serviços públicos.
Mas
há sinais bons. As Finanças também mostram que, apesar da demora
nos pagamentos, há um esforço visível para não acumular mais
dívida a fornecedores. Essa dívida não financeira (comercial,
essencialmente) caiu de forma notória, tendo recuado 18% em outubro
(homólogo) para 2227 milhões de euros.
há sinais bons. As Finanças também mostram que, apesar da demora
nos pagamentos, há um esforço visível para não acumular mais
dívida a fornecedores. Essa dívida não financeira (comercial,
essencialmente) caiu de forma notória, tendo recuado 18% em outubro
(homólogo) para 2227 milhões de euros.
No
entanto, o atraso nos pagamentos volta a aparecer e a um ritmo
acelerado. Em junho de 2011, estava Portugal no início do programa
de ajustamento do PSD-CDS e da troika, o volume de pagamentos em
atraso registava a sua última subida (5%). Na altura a situação
dos fornecedores do Estado e outras entidades era bem mais frágil: o
setor público estava a dever-lhe quase cinco mil milhões de euros.
entanto, o atraso nos pagamentos volta a aparecer e a um ritmo
acelerado. Em junho de 2011, estava Portugal no início do programa
de ajustamento do PSD-CDS e da troika, o volume de pagamentos em
atraso registava a sua última subida (5%). Na altura a situação
dos fornecedores do Estado e outras entidades era bem mais frágil: o
setor público estava a dever-lhe quase cinco mil milhões de euros.
O
programa da troika contemplava especificamente este problema e o
ministro das Finanças da altura, Vítor Gaspar, elaborou um plano:
tirou os fundos de pensões dos bancos, transferindo-os para a
Segurança Social, e parte da receita extraordinária foi para
regularizar dívida do setor da Saúde, designadamente a dos
hospitais às farmacêuticas (medicamentos, basicamente).
programa da troika contemplava especificamente este problema e o
ministro das Finanças da altura, Vítor Gaspar, elaborou um plano:
tirou os fundos de pensões dos bancos, transferindo-os para a
Segurança Social, e parte da receita extraordinária foi para
regularizar dívida do setor da Saúde, designadamente a dos
hospitais às farmacêuticas (medicamentos, basicamente).
Desde
então, e até agosto deste ano, o volume de dívidas atrasadas
desceu de forma contínua e expressiva até atingir um mínimo de 921
milhões de euros em dezembro do ano passado. Desde aí que a
tendência tem sido para aumentar.
então, e até agosto deste ano, o volume de dívidas atrasadas
desceu de forma contínua e expressiva até atingir um mínimo de 921
milhões de euros em dezembro do ano passado. Desde aí que a
tendência tem sido para aumentar.
As
Finanças confirmam que “os pagamentos em atraso das entidades
públicas situaram-se em 1161 milhões de euros no final de outubro,
representando um aumento de 13 milhões de euros face ao mês
anterior. Esta evolução é essencialmente explicada pelo aumento no
SNS (50 milhões de euros), em parte compensado pela diminuição na
administração local (menos 39 milhões de euros)”.
Finanças confirmam que “os pagamentos em atraso das entidades
públicas situaram-se em 1161 milhões de euros no final de outubro,
representando um aumento de 13 milhões de euros face ao mês
anterior. Esta evolução é essencialmente explicada pelo aumento no
SNS (50 milhões de euros), em parte compensado pela diminuição na
administração local (menos 39 milhões de euros)”.
Entre
outubro de 2015 e igual mês deste ano, o setor que mais contribuiu
para a subida volume dos atrasos foi justamente o dos hospitais EPE,
com mais 69% (309 milhões de euros atrasados). Em contrapartida, a
administração local conseguiu fazer uma redução de 32% (menos 82
milhões).
outubro de 2015 e igual mês deste ano, o setor que mais contribuiu
para a subida volume dos atrasos foi justamente o dos hospitais EPE,
com mais 69% (309 milhões de euros atrasados). Em contrapartida, a
administração local conseguiu fazer uma redução de 32% (menos 82
milhões).
Retoma,
um maná para o défice
um maná para o défice
Em
todo o caso, o boletim ontem divulgado traz uma série de boas
notícias para a execução do Orçamento deste ano. O défice
público global apurado de janeiro a outubro deste ano caiu 357
milhões de euros face aos mesmos dez meses do ano 2015. “O
défice até outubro melhora em sintonia com o crescimento
económico”, destacou o gabinete de Mário Centeno.
todo o caso, o boletim ontem divulgado traz uma série de boas
notícias para a execução do Orçamento deste ano. O défice
público global apurado de janeiro a outubro deste ano caiu 357
milhões de euros face aos mesmos dez meses do ano 2015. “O
défice até outubro melhora em sintonia com o crescimento
económico”, destacou o gabinete de Mário Centeno.
Até
setembro, o défice total tinha recuado 292 milhões de euros, pelo
que a marca de outubro é ainda mais favorável ao cumprimento do
objetivo anual (janeiro a dezembro) de 5490 milhões de euros, na
ótica da contabilidade pública (lógica dos pagamentos e
recebimentos que efetivamente são realizados através dos cofres
públicos).
setembro, o défice total tinha recuado 292 milhões de euros, pelo
que a marca de outubro é ainda mais favorável ao cumprimento do
objetivo anual (janeiro a dezembro) de 5490 milhões de euros, na
ótica da contabilidade pública (lógica dos pagamentos e
recebimentos que efetivamente são realizados através dos cofres
públicos).
A
descida do défice “resulta do aumento de 1,7% da receita,
superior ao crescimento de 1,1% da despesa. O quarto trimestre
inicia-se com perspetivas positivas na frente orçamental, dando
continuidade às boas notícias relativas ao crescimento económico
do terceiro trimestre”, frisa o governo.
descida do défice “resulta do aumento de 1,7% da receita,
superior ao crescimento de 1,1% da despesa. O quarto trimestre
inicia-se com perspetivas positivas na frente orçamental, dando
continuidade às boas notícias relativas ao crescimento económico
do terceiro trimestre”, frisa o governo.
A
despesa só não sobe mais porque o governo tem retido ao máximo o
investimento público, manteve um nível elevado de cativações e
diz estar a cortar nas gorduras e nos consumos intermédios. Assim, o
objetivo anual também ainda parece realista, pois o défice destes
dez meses está abaixo do objetivo anual, coisa que não acontecia no
ano passado, por esta altura.
despesa só não sobe mais porque o governo tem retido ao máximo o
investimento público, manteve um nível elevado de cativações e
diz estar a cortar nas gorduras e nos consumos intermédios. Assim, o
objetivo anual também ainda parece realista, pois o défice destes
dez meses está abaixo do objetivo anual, coisa que não acontecia no
ano passado, por esta altura.
Fonte: DN
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