A DELINQUÊNCIA JUVENIL NEM SEMPRE É UMA FATALIDADE
Notícias
Reinserção pela
Arte é um livro que nasceu de muitas mãos e que resulta de um projeto que
“viveu” em três centros educativos de Lisboa, de 2005 a 2008. Jorge
Barreto Xavier coordenou o trabalho que envolveu jovens dos 13 aos 18 anos.
Arte é um livro que nasceu de muitas mãos e que resulta de um projeto que
“viveu” em três centros educativos de Lisboa, de 2005 a 2008. Jorge
Barreto Xavier coordenou o trabalho que envolveu jovens dos 13 aos 18 anos.
Na introdução,
há uma frase que faz pensar. “A delinquência juvenil não é uma
fatalidade”, afirma o professor Jorge Barreto Xavier, coordenador de um
projeto que deu origem ao livro Reinserção pela Arte que foi apresentado na
quarta-feira no auditório 3 da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, por Laborinho
Lúcio e Viriato Soromenho-Marques. O docente explica o sentido da frase ao
EDUCARE.PT
há uma frase que faz pensar. “A delinquência juvenil não é uma
fatalidade”, afirma o professor Jorge Barreto Xavier, coordenador de um
projeto que deu origem ao livro Reinserção pela Arte que foi apresentado na
quarta-feira no auditório 3 da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, por Laborinho
Lúcio e Viriato Soromenho-Marques. O docente explica o sentido da frase ao
EDUCARE.PT
“Vivemos
numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a
criminalidade, a delinquência juvenil. Quando digo aceitar, não digo que haja
resignação perante estas fragilidades sociais – mas digo que acreditamos que
todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau.” E continua:
“É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma
fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da
delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos
ou medianos.
numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a
criminalidade, a delinquência juvenil. Quando digo aceitar, não digo que haja
resignação perante estas fragilidades sociais – mas digo que acreditamos que
todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau.” E continua:
“É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma
fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da
delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos
ou medianos.
Depois,
procuramos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que
não são para cumprir num ano nem sequer numa geração – mas se não forem
estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles.”
procuramos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que
não são para cumprir num ano nem sequer numa geração – mas se não forem
estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles.”
O livro decalca
um projeto experimental desenvolvido no Centro Educativo da Belavista na Graça,
no Centro Educativo Navarro de Paiva em Benfica, e no Centro Educativo Padre
António de Oliveira em Caxias, todos em Lisboa, entre 2005 e 2008. Em cada um desses
anos, cerca de 30 jovens, com idades entre os 13 e os 18 anos, distribuídos
pelos três centros educativos, envolveram-se em atividades artísticas nas áreas
de teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema, e design de
espaços. O bailarino e coreógrafo Rui Horta, o ator e encenador Fernando Mora
Ramos e a coreógrafa Madalena Victorino participaram nesse processo que
pretendeu estimular a criatividade dos adolescentes internados nos centros
educativos, que vestiram a pele de coautores, assistentes e colaboradores nesse
trabalho artístico.
um projeto experimental desenvolvido no Centro Educativo da Belavista na Graça,
no Centro Educativo Navarro de Paiva em Benfica, e no Centro Educativo Padre
António de Oliveira em Caxias, todos em Lisboa, entre 2005 e 2008. Em cada um desses
anos, cerca de 30 jovens, com idades entre os 13 e os 18 anos, distribuídos
pelos três centros educativos, envolveram-se em atividades artísticas nas áreas
de teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema, e design de
espaços. O bailarino e coreógrafo Rui Horta, o ator e encenador Fernando Mora
Ramos e a coreógrafa Madalena Victorino participaram nesse processo que
pretendeu estimular a criatividade dos adolescentes internados nos centros
educativos, que vestiram a pele de coautores, assistentes e colaboradores nesse
trabalho artístico.
O projeto, que
contou com o apoio da Fundação Gulbenkian, foi a adaptação de um programa do
Reino Unido junto de jovens considerados de risco e sujeitos a medidas
tutelares educativas. O livro problematiza, na primeira parte, a relação entre
a arte e a reinserção social, e mostra como a criação artística é uma
ferramenta na descoberta de competências que abra portas à reinserção de jovens
problemáticos.
contou com o apoio da Fundação Gulbenkian, foi a adaptação de um programa do
Reino Unido junto de jovens considerados de risco e sujeitos a medidas
tutelares educativas. O livro problematiza, na primeira parte, a relação entre
a arte e a reinserção social, e mostra como a criação artística é uma
ferramenta na descoberta de competências que abra portas à reinserção de jovens
problemáticos.
“As artes
têm um discurso social autónomo, correspondem a uma presença social que tem as
suas diferenças específicas em relação a outras áreas de atividade, e o seu
trabalho é de grande valor na construção pessoal e coletiva. Se o ‘discurso
artístico’ tiver validade ‘construtiva’ em ambiente controlado, como é o caso
dos centros educativos, é válido pensar (com os devidos cuidados) que se pode
extrapolar essa validade para o todo social”, adianta Jorge Barreto
Xavier, licenciado em Direito, professor auxiliar convidado do ISCTE e
investigador associado do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, que
coordenou o projeto e o livro.
têm um discurso social autónomo, correspondem a uma presença social que tem as
suas diferenças específicas em relação a outras áreas de atividade, e o seu
trabalho é de grande valor na construção pessoal e coletiva. Se o ‘discurso
artístico’ tiver validade ‘construtiva’ em ambiente controlado, como é o caso
dos centros educativos, é válido pensar (com os devidos cuidados) que se pode
extrapolar essa validade para o todo social”, adianta Jorge Barreto
Xavier, licenciado em Direito, professor auxiliar convidado do ISCTE e
investigador associado do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, que
coordenou o projeto e o livro.
Os
intervenientes neste processo consideram que valeu a pena a intervenção, que
teve como pano de fundo a reinserção social, e esperam que as recomendações e
propostas feitas no livro sejam ouvidas. Jorge Barreto Xavier adianta alguns
dos caminhos sugeridos na obra. “Tem de haver uma maior correlação entre o
sistema de segurança social e o sistema de justiça – as articulações entre as
políticas para crianças e jovens em risco, as políticas gerais na área da
exclusão social e pobreza, as políticas de acolhimento de imigrantes e as
políticas para a delinquência juvenil têm de ser articuladas”. “Por
vezes, com a ‘departamentalização’ dos serviços públicos, funcionalmente necessária,
perde-se o horizonte da prioridade ao resultado das políticas públicas, muitas
vezes com muito maior necessidade de conjugação e articulação”,
acrescenta.
intervenientes neste processo consideram que valeu a pena a intervenção, que
teve como pano de fundo a reinserção social, e esperam que as recomendações e
propostas feitas no livro sejam ouvidas. Jorge Barreto Xavier adianta alguns
dos caminhos sugeridos na obra. “Tem de haver uma maior correlação entre o
sistema de segurança social e o sistema de justiça – as articulações entre as
políticas para crianças e jovens em risco, as políticas gerais na área da
exclusão social e pobreza, as políticas de acolhimento de imigrantes e as
políticas para a delinquência juvenil têm de ser articuladas”. “Por
vezes, com a ‘departamentalização’ dos serviços públicos, funcionalmente necessária,
perde-se o horizonte da prioridade ao resultado das políticas públicas, muitas
vezes com muito maior necessidade de conjugação e articulação”,
acrescenta.
Os agentes
ativos da sociedade civil não podem ficar parados. Por isso, no caso da
delinquência juvenil, defende-se que é crucial a articulação entre a prevenção,
o acompanhamento das medidas tutelares educativas e o acompanhamento da
integração dos jovens. Segundo Jorge Barreto Xavier, este acompanhamento antes,
durante e depois das medidas aplicadas, com o adequado envolvimento da justiça,
segurança social e sociedade civil, é o caminho mais adequado para alcançar
menores taxas de delinquência, menores taxas de reincidência e uma melhor
inserção na sociedade. “Não se trata de uma questão financeira, mas de
conjugação de vontades”, refere.
ativos da sociedade civil não podem ficar parados. Por isso, no caso da
delinquência juvenil, defende-se que é crucial a articulação entre a prevenção,
o acompanhamento das medidas tutelares educativas e o acompanhamento da
integração dos jovens. Segundo Jorge Barreto Xavier, este acompanhamento antes,
durante e depois das medidas aplicadas, com o adequado envolvimento da justiça,
segurança social e sociedade civil, é o caminho mais adequado para alcançar
menores taxas de delinquência, menores taxas de reincidência e uma melhor
inserção na sociedade. “Não se trata de uma questão financeira, mas de
conjugação de vontades”, refere.
As escolas
estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens? “Os
professores ou, pelo menos, muitos professores, têm de lidar todos os dias com
adolescentes e jovens com comportamentos desviantes, alguns dos quais têm ou
terão comportamentos delinquentes”. A questão, sustenta, é saber se os
docentes estão ou não preparados para trabalhar com essas situações mais
complicadas, se as escolas estão ou não organizadas para enfrentar esses casos
e se há parâmetros nacionais para lidar com o assunto. “Diria que há ainda
muito para fazer neste domínio, independentemente de, a nível individual, haver
professores sensibilizados”, comenta.
estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens? “Os
professores ou, pelo menos, muitos professores, têm de lidar todos os dias com
adolescentes e jovens com comportamentos desviantes, alguns dos quais têm ou
terão comportamentos delinquentes”. A questão, sustenta, é saber se os
docentes estão ou não preparados para trabalhar com essas situações mais
complicadas, se as escolas estão ou não organizadas para enfrentar esses casos
e se há parâmetros nacionais para lidar com o assunto. “Diria que há ainda
muito para fazer neste domínio, independentemente de, a nível individual, haver
professores sensibilizados”, comenta.
Resolver casos
de abandono e de insucesso escolar continua a ser uma árdua tarefa. O coordenador
do livro Reinserção pela Arte diz que é necessário definir que taxas de
abandono e de insucesso são admissíveis em 2012, 2014, 2016, e estabelecer
metas para que os objetivos se concretizem. “É preciso definir com clareza
o objetivo final: não deixar nenhuma criança e jovem para trás.” Até
porque, lembra, “as últimas décadas, através dos maus resultados, têm
demonstrado a desadequação dos meios para resolver os casos de abandono e
insucesso escolar”.
de abandono e de insucesso escolar continua a ser uma árdua tarefa. O coordenador
do livro Reinserção pela Arte diz que é necessário definir que taxas de
abandono e de insucesso são admissíveis em 2012, 2014, 2016, e estabelecer
metas para que os objetivos se concretizem. “É preciso definir com clareza
o objetivo final: não deixar nenhuma criança e jovem para trás.” Até
porque, lembra, “as últimas décadas, através dos maus resultados, têm
demonstrado a desadequação dos meios para resolver os casos de abandono e
insucesso escolar”.
Por Sara R. Oliveira
