Como se vive com um nome diabolizado pela História e pela Humanidade?

26/10/2016 0 Por Carlos Joaquim
Às
quartas-feiras à tarde, o seu pai levava-a por vezes com ele
durante as inspecções, nomeadamente a Dachau, o primeiro campo
de concentração da Alemanha, aberto em Março de 1933, que ele
concebeu e que se encontrava a alguns quilómetros de Munique.
«Aqueles com um triângulo vermelho são prisioneiros. Os dos
triângulos negros são criminosos», explicava-lhe. Para a
menina, eles tinham todos ar de prisioneiros: malvestidos e mal
barbeados. Ela tem doze anos durante esta visita macabra. Os
Filhos dos Nazis
, de Tania Crasnianski, com tradução de
Nuno Costa Santos e Rui Lopo, é o livro que nos revela a
realidade de quem cresceu do lado do inimigo.  
Até
1945, os pais destas crianças eram heróis. Depois da derrota
alemã, o mundo passou a chamar-lhes carrascos e os seus apelidos
passaram a ser sinónimos do terror nazi. Estas crianças alemãs
passaram a II Guerra Mundial no meio do luxo, acarinhados por pais
afectuosos, que ao fim do dia regressavam a casa após uma jornada
de morte. Para eles, o fim do III Reich foi um desastre.
Inocentes, tiveram de lidar com os crimes perpetrados pelos pais:
uns condenaram-nos, outros continuaram a reverenciá-los. Crianças
assombradas por uma herança que não puderam repudiar. Que
ligações mantiveram com os seus pais? Como se vive com um nome
diabolizado pela História e pela Humanidade? Sentir-se-ão
responsáveis pelas atrocidades nazis? Setenta anos depois, quando
a memória se começa a perder, Os Filhos dos Nazis,
de Tania Crasnianski, é um documento perturbador, um documento
apaixonante, um documento essencial. Chega às livrarias a 2 de
Novembro.

Os Filhos dos Nazis
Tania Crasnianski
15×23
242 páginas 
16,00 €
Não Ficção/História
Nas livrarias a 2 de Novembro
Guerra e Paz Editores









Sinopse

Até
1945, os seus pais eram heróis. Depois da derrota alemã, o mundo
passou a chamar-lhes carrascos. Gudrun, Edda, Niklas, entre outros,
são filhos de Himmler, Göring, Hess, Frank, Bormann, Höss, Speer e
Mengele, apelidos que são sinónimos do terror nazi. Estas crianças
alemãs passaram a II Guerra Mundial no meio do luxo, acarinhados por
pais afectuosos, que ao fim do dia regressavam a casa após uma
jornada de morte. Para eles, o fim do III Reich foi um desastre.
Inocentes, tiveram de lidar com os crimes perpetrados pelos pais: uns
condenaram–nos, outros continuaram a reverenciá-los. Crianças
assombradas por uma herança que não puderam repudiar. Que ligações
mantiveram com os seus pais? Como se vive com um nome diabolizado
pela História e pela Humanidade? Sentir-se-ão responsáveis pelas
atrocidades nazis? Setenta anos depois, quando a memória se começa
a perder, este é um documento perturbador, um documento apaixonante,
um documento essencial.
Biografia
dA autorA


Tania
Crasnianski.
Foi advogada penalista em Paris. Hoje, vive
entre a Alemanha, Londres e Nova Iorque. Os Filhos dos Nazis é o seu
primeiro livro. De origem russa, francesa e alemã, o seu avô
materno foi oficial da Força Aérea Alemã no tempo do nazismo.
Sempre se recusou a falar sobre esse período negro. Foi uma das
razões para a autora escrever este livro, e assim procurar
compreender as implicações presentes deste passado negro.
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