Um Orçamento, meio orçamento (e a medida da desvalorização dos salários)
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Bom dia!
O dia começa com dois escândalos do outro lado do Atlântico. O primeiro passa por, claro, por Donald Trump: o candidato tem mais duas denúncias por assédio sexual (e uma terceira vinda de uma rapariga de 10 anos). O mote para as queixas foi o vídeo divulgado na última semana – e o que ele disse no debate com Hillary Clinton. A história vem contada no New York Times – e Trump já se queixou que o jornal montou uma contra campanha.
O outro escândalo envolve um banco – e a demissão do seu presidente. Há umas semanas, as autoridades descobriram que os funcionários do Wells Fargo abriram milhões de contas falsas sem o consentimento dos clientes. O Wells Fargo pediu desculpa muitas vezes, 5 mil pessoas foram demitidas, foi aplicada uma multa de alguns milhões. Ontem foi a vez do CEO abrir a porta de saída.
Aqui pela Europa, um suspeito de terrorismo foi encontrado morto na prisão. Jaber Albakr era um imigrante sírio e tinha sido detido na Alemanha por suspeitas de estar a preparar um ataque terrorista no aeroporto de Berlim. Não lhe vou descrever a cena, mas dizer-lhe que o mais provável é tratar-se deum suicídio.
Na última hora soubemos da morte de Dario Fo, o italiano que ganhou o Nobel da Literatura. Aqui temos um texto em actualização.
O tema do dia
É o Orçamento, pois claro. O Governo junta-se hoje para o aprovar, mas ainda sem garantias do PCP e Bloco. António Costa tem reuniões marcadas para depois do Conselho de Ministros, tentando fechar os três temas centrais, mas arrisca-se a ter mais um mês de negociações difíceis (e em paralelo com a Comissão Europeia), como explicam a Liliana Valente e a Maria João Lopes.
Provando que muita coisa está em aberto, António Costa reconhece agora que a palavra dada sobre a reposição da sobretaxa do IRS pode ser honrada apenas a meio do ano, como avançou o PÚBLICO no último sábado (a síntese da entrevista ao DN/TSF está aqui). No JN leio que também o aumento das pensões é para introduzir aos poucos: os 10 euros pedidos pela esquerda podem chegar lá para Julho. A esquerda, essa, não aceitou ainda a proposta. Sendo que, no próprio PS, há quem ache tudo isto promessas a mais.
O que está fechado é um aumento da tributação sobre o arrendamento local (deixo-lhe aqui uma simulação dos novos custos).
Outra simulação que também pedimos foi dirigida aos funcionários públicos. Quisemos saber o que valem os salários, agora que os cortes foram repostos. E a PwC, fazendo as contas, explicou-nos que a perda real é de pelo menos 10% face a 2010, ano em que começaram os cortes. Faltará comparar com o sector privado, mas não há dúvidas que é uma enorme desvalorização salarial.
Para enquadrar tudo isto, é preciso ler o texto do Sérgio Aníbal, que nos explicacomo a meta para o défice aperta a margem negocial do Governo.
E o que é que há mais?
Já há proposta chinesa pelo Novo Banco. Ela aponta para mais de 50% do capital e admite uma dispersão em bolsa. A Cristina Ferreira conta-nos os detalhes do plano B que parece cada vez mais um plano A.
Passando para a economia doméstica, o Negócios regista que os emigrantes tiraram 100 milhões de depósitos que tinham por cá. E nós, aqui no PÚBLICO, anotámos este boom dos produtos em promoção: os supermercados já dão um desconto médio de 32% – e parece que não vão ficar por aqui (os detalhes do consumo estão neste estudo).
A semana, porém, foi marcada por dois crimes – e nós também escrevemos sobre eles. Deixo-lhe estes dois textos: quem é o homem mais procurado de Portugal (aviso: diz-se que era simpático e galanteador); e a rede de multas que já pôs a PSP a investigar o ministério.
Quanto à manifestação de taxistas, há registo de divisões, hesitações. Mas só hoje saberemos se eles voltam a parar na 2ª-feira.
Hoje é importante
O Prémio Nobel da Literatura é conhecido já daqui a pouco, ao meio-dia. A lista de favoritos é liderada por um queniano – e nós aqui estaremos num minuto-a-minuto para confirmar se o vencedor sai dela. Quanto a mim, estarei pronto para voltar às livrarias (qualquer pretexto é bom, não é verdade?).
António Guterres vai a votos na Assembleia-Geral da ONU, numa cerimónia onde se espera um apoio sem hesitações para o novo líder da organização.
Na Grécia, o Syriza reúne-se num congresso sem sorrisos. Entre a austeridade negociada com a troika e a baixa de popularidade de Alexis Tsipras, o partido que comanda o Governo grego procura uma saída para o que parece ser um ciclo vicioso. A Maria João Guimarães explica aqui como a desilusão chegou.
Por cá, anote que temos mais uma greve dos enfermeiros. É a 16ª greve deles este ano, a avaliar pelas contas da Lusa.
A fechar o dia, temos o regresso da Taça de Portugal (hoje com o Famalicão-Sporting). Será dia para uns 15 minutos de fama?
Só mais um minuto…
Para lhe falar de uma partida assustadora está a dar a volta ao globo. É uma história com palhaços armados, muitos sustos (daqueles a sério), já com polícias em alerta e um comunicado da Casa Branca. Está na nossa primeira página – e aqui neste link.
Para aliviar, conto-lhe também a história da Dona Isabel, a mulher que percorre 15 quilómetros por dia para alimentar 200 gatos no Porto. O vídeo delajá corre o mundo (mas por boas razões).
A fechar deixo-lhe um texto da revista Time que nos dá 5 conselhos para fazer as manhãs mais produtivas. Achei que esta era uma boa maneira de me despedir. Fica o meu desejo: que tenha um dia produtivo, um dia muito feliz.
Até já!
Fonte:© 2016 PÚBLICO Comunicação Social SA
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