Apelo aos bispos do Brasil para que se abram as igrejas

Apelo aos bispos do Brasil para que se abram as igrejas

21/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

Angustiada súplica dos fiéis a seus Pastores: Até quando permaneceremos sem sacramentos e assistência espiritual?

Excelências Reverendíssimas,

É com os olhos fixos na Mater Dolorosa que lhes dirigimos filialmente esta súplica.

A situação pela qual passa o Brasil e boa parte do mundo por ocasião da atual peste chinesa, o coronavírus, arrisca-nos a uma conjuntura que vai muito além do caos sanitário. Já estamos em parte no caos social, e se vislumbra um aumento do caos econômico e institucional, mas sobretudo de uma grande orfandade espiritual.
Quando São Carlos Borromeu era Cardeal-Arcebispo de Milão, uma terrível epidemia grassou na região. Que medidas ele tomou? Fez um apelo à oração privada e pública; prestou assistência aos doentes; conduziu três procissões gerais “para apaziguar a ira de Deus”; e pregou sobre como os pecados atraem o castigo divino. Desta forma, essas pragas deixaram de ser apenas um castigo, mas também se tornaram uma oportunidade de conversão.
O que presenciamos atualmente no Brasil é o oposto: fechamento das igrejas; restrição à principal fonte da graça divina, que são os Sacramentos; impossibilidade de receber a comunhão, o batismo, e de celebrar o matrimônio; diminuição drástica das visitas aos doentes, que se veem privados da absolvição sacramental e da extrema-unção; quase total eliminação da assistência religiosa aos fiéis; ausência de um chamado a atos penitenciais, à conversão, à mudança de vida.
Essa atitude, tomada por grande número de clérigos no Brasil, tem colocado em xeque:
1 – A vida espiritual dos fiéis, já tão debilitada pela imoralidade agressiva, pelo laicismo cínico e pela impiedade imperante;
2 – A credibilidade de quem deveria pastorear o rebanho, máxime em momentos difíceis.
Essa indigência religiosa se verifica no momento mesmo em que vemos, com edificação, médicos e profissionais da saúde fiéis ao juramento feito em suas formaturas; e, ao invés de pedirem o fechamento dos hospitais, atendem com abnegação os enfermos, mesmo com o risco de contágio. De modo similar, as farmácias e hospitais permanecem abertos, mesmo em locais onde o comércio foi fechado.
Nos locais destinados ao atendimento médico é permitida a entrada de clientes, desde que se tomem as medidas indicadas pelas autoridades. Por que tal procedimento não vale para as igrejas? Não é obrigação ainda maior a dos Pastores, de cuidar da salvação eterna das almas? Porventura o cuidado com o corpo é mais importante que o cuidado com a alma?
Até mesmo o governo federal, por meio de um decreto confirmado pelo STF, reconheceu as atividades religiosas como essenciais ao País, não sendo lícito a nenhum estado ou município impedir a abertura das igrejas e a administração dos sacramentos.