Mulheres e pessoas em teletrabalho são os mais ansiosos e tristes com a pandemia

Mulheres e pessoas em teletrabalho são os mais ansiosos e tristes com a pandemia

19/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

Os idosos são os que se sentem menos preocupados com os efeitos da Covid-19.

Um quarto dos inquiridos num estudo sobre como se sentem em tempos de pandemia diz sentir-se ansioso, em baixo, ou triste “todos os dias” ou “quase todos os dias”, sendo a maioria mulheres e pessoas em teletrabalho.

O questionário “Opinião Social” do Barómetro Covid-19, da Escola Nacional de Saúde Pública, mostra ainda que 55% dos inquiridos admitem sentir-se assim “alguns dias”.
Quase um terço reportou distúrbios de sono, um quarto diz sentir que não consegue fazer tudo o que precisava fazer e 23% confessa estar sempre a pensar na covid-19.
Dos participantes no estudo que reportam sentir-se ansiosos “todos os dias”, 35% são trabalhadores em teletrabalho, 23% suspenderam a sua atividade profissional e apenas 9% está no local de trabalho.
Os investigadores apontam como possível explicação para estas diferenças o facto de as pessoas em teletrabalho poderem estar a experienciar dificuldades em gerir a sua atividade profissional em simultâneo com a vida pessoal e familiar.
Por outro lado, as pessoas que suspenderam a atividade estarão preocupadas com a possível perda de rendimento, refere a coordenadora científica do estudo, Sónia Dias.
“As pessoas que se têm sentido mais ansiosas ou tristes apresentam menores níveis de confiança na capacidade de resposta dos serviços de saúde e também se sentem em maior risco de contrair covid-19”, refere o estudo, que decorreu entre 21 de março e 10 de abril e recolheu 160.157 respostas.
Os idosos são quem se sente agitado, ansioso ou triste com menor frequência, quando comparados com a população entre os 26 e os 65 anos, diz Sónia Dias.
“Em suma, 82% dos respondentes sente pelo menos um dos possíveis efeitos negativos na sua saúde mental, desencadeado pelo período que vivemos”, refere o barómetro, um projeto de investigação que pretende “responder, em tempo útil, aos desafios impostos pela pandemia global”.