OPINIÃO | SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: Da supremacia soviética ao fim da guerra na Europa

OPINIÃO | SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: Da supremacia soviética ao fim da guerra na Europa

12/04/2020 0 Por Carlos Joaquim

Em dois anos e à custa de milhões de vidas, entre militares e civis, a URSS concluiu uma viragem radical no curso da guerra. As consequências internacionais desta viragem da guerra foram importantíssimas.

Tratar de forma isolada a guerra na Rússia é obrigatório por diversas razões históricas. O seu desfecho teve um papel determinante para o curso da guerra. Nenhuma cedência quanto a esta verdade, feita de milhões de vidas, deve ser feita perante os falsificadores da História.
Em Estalinegrado, ao fim de sangrentos combates, as tropas nazis foram cercadas, derrotadas e capitularam.
A Alemanha nazi e os seus aliados perderam 1,5 milhões de soldados e oficiais, um quarto do total das forças armadas e do material de guerra concentrado na fronteira germano-soviética.
Em Kursk deu-se o maior combate de tanques da Segunda Guerra Mundial, envolvendo das duas partes 4 milhões de combatentes. Ao fim de 50 dias de combates, as tropas nazis perderam meio milhão de homens, cerca de 1500 tanques e mais de 3700 aviões!
Em dois anos (Junho de 1941 a Agosto de 1943), e à custa de milhões de vidas, entre militares e civis, as forças armadas soviéticas concluíram a viragem radical no curso da guerra. No Inverno de 1943 e nos primeiros meses de 1944 os soviéticos libertaram todo o seu território nas mãos do agressor e atingiram as fronteiras com a Polónia, Checoslováquia e Roménia, infligindo novas e pesadas derrotas aos nazis.
As consequências internacionais desta viragem da guerra foram importantíssimas.
Entre 28 de Novembro e 1 de Dezembro de 1943 reuniu-se em Teerão a primeira das três cimeiras que foram realizadas entre a URSS, a Inglaterra e os EUA. Esta reunião decidiu, ao fim de mais de dois anos de hesitações e adiamentos por parte dos governos dos EUA e do Reino Unido, a abertura de uma segunda frente de combate contra a Alemanha nazi, na Europa Ocidental, para Maio de 1944.
Na sua mensagem de 6 de Janeiro de 1945 ao Congresso dos EUA, Franklin D. Roosevelt lembrou: «Nós não podemos esquecer-nos da heróica defesa de Moscovo, de Leninegrado e Estalinegrado, e das gigantescas proporções das operações ofensivas russas em 1943 e 1944, em consequência das quais foram aniquilados os enormes exércitos germânicos.»
Por sua vez Charles de Gaulle salientou, em Dezembro de 1944: «Os franceses sabem o que a Rússia Soviética fez por eles e sabem também que foi precisamente a Rússia soviética quem desempenhou o principal papel na sua libertação.»
Finalmente, Winston Churchill, em mensagem a Estaline, em Fevereiro de 1945, escreveu: «As futuras gerações reconhecerão a sua dívida ao Exército Vermelho sem quaisquer reservas.»