“Completamente desaproveitados”. Médicos de saúde pública ameaçam sair de juntas médicas para cumprir funções que efetivamente protejam a saúde das populações

“Completamente desaproveitados”. Médicos de saúde pública ameaçam sair de juntas médicas para cumprir funções que efetivamente protejam a saúde das populações

09/01/2020 0 Por Carlos Joaquim
As organizações médicas recomendam aos clínicos de saúde pública que deixem de participar nas juntas médicas de avaliação de incapacidade, considerando urgente libertar estes médicos para funções que efetivamente protejam a saúde das populações.
Esta semana, as organizações médicas, incluindo a Ordem dos Médicos e os sindicatos, reuniram-se para avaliar a situação dos clínicos de saúde pública, especialidade que deve trabalhar para prevenir a doença e proteger a saúde, tendo decidido pedir uma reunião urgente sobre a matéria à ministra da Saúde, Marta Temido.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, explica que estes clínicos, com uma especialidade e diferenciação clara, têm atribuídas tarefas que “pouco mais são do que apenas burocráticas”.
Em causa está o facto de os médicos de saúde pública terem grande parte do seu tempo ocupado com a realização de juntas médicas de avaliação de incapacidade, nomeadamente para passarem atestados multiusos para acesso a regalias ou prestações sociais, por exemplo.
Ricardo Mexia entende que desta forma os médicos de saúde pública estão a ser impossibilitados de se dedicar e cumprir as suas tarefas essenciais, que passam pela prevenção da doença e promoção da saúde (como a monitorização da vacinação, deteção e controlo de focos de doenças ou de problemas de origem ambiental com impacto na saúde).
A Associação de Médicos de Saúde Pública, a Ordem dos Médicos e os sindicatos médicos entendem que é urgente repensar o sistema das juntas médicas de avaliação de incapacidade, libertando os clínicos de saúde pública para funções que tragam ganhos reais à população.
“Há longo tempo que fomos avisando a tutela de que a situação não estava a correr bem. As organizações médicas consideram que urge resolver a situação da forma mais célere possível e decidiram solicitar uma reunião com caráter de urgência à ministra da Saúde”, acrescentou Ricardo Mexia.