Obituário | BARROCA PARA SEMPRE

Obituário | BARROCA PARA SEMPRE

03/01/2020 0 Por Carlos Joaquim
A Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Cidália Ferreira, decreta luto municipal para o dia das cerimónias fúnebres do encenador, ator e arquiteto Norberto Barroca, falecido esta quinta-feira, 2 de janeiro de 2020.
Para a Presidente, ”esta é uma triste notícia que muito nos marca. Norberto Barroca foi e será sempre – porque nunca o esqueceremos – um grande Marinhense. Artista, encenador de gabarito Nacional, figura de reconhecido mérito, graças a Norberto Barroca boa parte da memória histórica do povo Marinhense permanecerá eternamente viva.
Obrigada por tudo, Norberto. Ficam as enormes saudades.
Até sempre.”
Até às 18h00 do dia 2 de janeiro, ainda não era conhecida a data e hora das cerimónias fúnebres.
Biografia de Norberto José Guerra Barroca, escrita pelo próprio para a Câmara Municipal da Marinha Grande, em setembro de 2019:
“Nasci na Marinha Grande e desde muito cedo comecei a ir ao teatro e a interessar-me por esta arte. Fazia teatro em casa e dizia poesia; depois, também no Externato Afonso Lopes Vieira. Quando fui estudar arquitectura para Lisboa iniciei-me no Teatro Universitário, com direcção de Fernando Amado. Com ele fui para o Centro Nacional de Cultura onde me estreei no Grupo Fernando Pessoa, em 1960, dizendo poesia. Com o Grupo fiz espectáculos por todo o país e também no Brasil, Angola e Moçambique. Em 1964, na Casa da Comédia, ainda com direcção de Fernando Amado, fui o protagonista da peça de Almada Negreiros, Deseja-se Mulher, com a presença do autor. Também na Casa da Comédia estreei-me como encenador em 1967 com a peça As Noites Brancas de Dostoievski e aí encenei outras peças tendo ganho o Prémio da Imprensa de Encenação, por Fando e Lis de Arrabal, em 1969. Tive, então, uma Bolsa da Fundação Gulbenkian para estudar teatro em Londres na East 15th Acting School. Nesse mesmo ano defendi tese de Arquitectura e tive um convite para integrar a equipa do Gabinete de Urbanização e Habitação da Região de Lourenço Marques (hoje Maputo) e para lá parti. Aí, a par do meu trabalho de arquitecto fiz teatro tendo posto em cena o primeiro espectáculo de temática africana interpretada totalmente por artistas negros num total de 60. O espectáculo – Os Noivos ou Conferência Dramática sobre o Lobolo – baseado num texto de Lindo Hlongo teve grande impacto e êxito. De regresso a Lisboa, na Casa da Comédia, entre outros espectáculos encenei Um Barco para Ítaca de Manuel Alegre, que se representou por todo o país e, no âmbito do programa de Dinamização Cultural do Movimento das Forças Armadas se representou também na Grã Bretanha e na Alemanha. Fiz parte do Teatro Experimental de Cascais e encenei espectáculos em quase todos os teatros de Lisboa – Teatro Laura Alves, Teatro Estúdio de Lisboa, 1º Acto de Algés, Teatro S. Luís (de que fui Director Artístico), Teatro Maria Matos, A Barraca, Teatro ABC, Teatro Maria Vitória e Teatro Nacional D. Maria II. Dirigi espectáculos de Café Concerto. Em Viseu dirigi um espectáculo para o Grupo A Centelha e, a convite da companhia Seiva Trupe do Porto, encenei alguns espectáculos, entre eles, Um Cálice de Porto que esteve em cena durante dois anos seguidos, tendo-se também apresentado em várias cidades do país e na Galiza. De 1998 a 2009 fui Director Artístico do Teatro Experimental do Porto, onde dirigi e interpretei um importante reportório do teatro mundial, no Porto e em Vila Nova de Gaia.