CIÊNCIA | Stratolaunch, avião com maior envergadura do mundo, faz seu primeiro voo

CIÊNCIA | Stratolaunch, avião com maior envergadura do mundo, faz seu primeiro voo

16/04/2019 0 Por Carlos Joaquim
Vivo estivesse, Paul Allen, cofundador da Microsoft, estaria muito contente e satisfeito. O Stratolaunch, a enorme aeronave sonhada por ele, voou pela primeira vez no sábado (13), tornando-se o avião de maior envergadura a levantar voo. Maior que o Spruce Goose de Howard Hughes — que voou apenas uma vez, em 1947 —, o Stratolaunch decolou do Mojave Air and Space Port, no deserto da Califórnia, e ficou no ar por duas horas e meia, atingindo uma altitude de 17.000 pés (5.181 metros) e uma velocidade máxima de 304 km/h.
O avião é um gigante com uma fuselagem dupla, 28 rodas, seis motores que normalmente equipam um Boeing 747 e uma envergadura maior do que um campo de futebol. “Finalmente conseguimos”, disse Jean Floyd, executivo-chefe da Stratolaunch, em uma teleconferência com repórteres. Ele disse que foi inspirador “ver o sonho de Paul Allen ganhar vida”.
Mas Allen, o bilionário cofundador da Microsoft falecido em outubro, deixou em dúvida o futuro do avião e a empresa por trás dele. Os funcionários não responderam às perguntas dos repórteres e não abordaram o futuro do empreendimento durante a conferência. Desde a morte de Allen, a empresa reduziu drasticamente as operações e demitiu dezenas de funcionários.
Desde o começo, o sonho de Allen era usar o avião para ajudar a tornar o acesso dos satélites e, possivelmente, das pessoas, no espaço mais acessíveis. Construída pela Scaled Composites, uma subsidiária da Northrop Grumman, o Stratolaunch foi projetado para transportar até três foguetes presos à sua barriga nos céus; os foguetes então cairiam, incendiariam e disparariam para o espaço com suas cargas úteis. Allen, que era um notório do espaço durante grande parte de sua vida, financiou o desenvolvimento inicial desse projeto, que ganhou o prêmio Ansari X de US$ 10 milhões (R$ 38,8 milhões) em 2004.
À época, Allen estava fascinado com as capacidades dos pequenos satélites, como eles poderiam ajudar a manter o controle sobre o meio ambiente da Terra, e pensava que os foguetes “lançadores aéreos”, como o processo é comumente chamado, poderiam ajudar a inaugurar uma nova era de voos espaciais.
Foto:Revista Planeta