Opinião | O Dever
O dever! Que força mágica tem esta palavra! O dever bem cumprido enriquece o indivíduo e as nações; o dever desprezado pode arruiná-los. Os povos que cumprem o seu dever alcançam sempre vitória sobre os inimigos; aqueles que são desleixados são condenados a desaparecer.
Numa velha igreja de um país estrangeiro existe uma imagem interessantíssima que representa as diversas vocações que os homens podem seguir. Ali se via o Papa, em toda a sua pompa, com esta inscrição por baixo: «Sou eu que vos ensino a todos»… um imperador com esta legenda: «Sou eu que nos governo a todos»… um general do exercito, de espada em punho, que anuncia: «Sou eu que vos defendo a todos»… um agricultor que abre um fundo sulco com a charrua e diz «Sou eu que vos alimento a todos»… e, bem ao fundo do quadro, um demónio fazendo esgares e chacoteando: «Sou que eu vos levo a todos, se não cumpris o vosso dever».
Que ideia profunda se esconde atrás destas cores! Que importa que sejas neste mundo imperador ou agricultor, se cumpres o teu dever! A vida humana é uma imensa peça de teatro, e é o próprio Deus quem distribui os papéis. Não depende de ti receber este ou aquele, mas depende de ti desempenhar bem ou mal o teu. O que é importante é como se desempenha, e não o que se desempenha. Pode acontecer que se pateie aquele que faz o papel de imperador porque o desempenhou mal, e que, inversamente, se aclame aquele que fez o papel mais modesto de um aprendiz de sapateiro.
Com frequência oiço os jovens dizerem-me, lamentando-se: «Não sei que carreira seguir! Em todas há gente de mais»! Não temas tu! Em todas as carreiras há sempre penúria de homens hábeis, activos e fiéis ao seu dever!