“As pessoas já não levam os corpos para a casa mortuária, ficam com elas” revela deputado Picardo que clama por apoio para quem está no que resta da sua casa

“As pessoas já não levam os corpos para a casa mortuária, ficam com elas” revela deputado Picardo que clama por apoio para quem está no que resta da sua casa

22/03/2019 0 Por Carlos Joaquim
Enquanto as equipa de emergência nacionais e internacionais voa e nadam contra o tempo para resgatar cerca de 350 mil moçambicanos que continuam sitiados pelo quinto dia consecutivo nos distritos de Búzi, Chibabava, Nhamatanda e Dondo, na cidade da Beira os cadáveres acumulam-se na casa mortuária diante da impossibilidade de serem realizados funerais. “As pessoas já não levam os corpos para a casa mortuária, ficam com elas” revelou nesta quarta-feira(20) Juliano Picardo, que fez a pé o trajecto entre o distrito de Nhamatanda e a capital da província de Sofala e apelou: “Os apoios estão sendo canalizados para os centros de acomodação, estamos a esquecer que a cidade da Beira é essencialmente urbana”.
Até o fecho desta edição 202 continuava a ser o número oficial de vítimas mortais do Ciclone IDAI no Centro de Moçambique, porém o deputado da Assembleia da República Juliano Picardo, que chegou a cidade da Beira no passado domingo (17) a pé, afirmou: “Posso vos garantir que os números que são apresentados em relação as vidas humanos não são correctos, não existem números exactos, todos os dias aparecem cadáveres”.
Picardo, que vive na cidade da Beira, revelou que: “As pessoas já não levam os corpos para a casa mortuária, fica com elas. Os solos estão todos debaixo de água e não se podem realizar funerais. Estamos a guardar os corpos em locais que nós achamos seguros, que não tenham água. É um cenário de muita tristeza”.