Moçambique | Sem o interesse da Vale e Mitsui , e com gás natural no horizonte, Governo reassume o Porto de Nacala
Tendo no horizonte o nascimento da indústria local de gás natural o Governo de Filipe Nyusi decidiu nesta terça-feira (17) não renovar a concessão do Porto de Nacala, uma Parceria Público Privada que enriqueceu importantes membros do partido Frelimo. O @Verdade entende que a decisão vai de encontro ao desejo dos principais accionistas, a brasileira Vale e a japonesa Mitsui, devido ao cada vez menor interesse estratégico da infra-estrututura portuária para os seus negócios em Moçambique.
Na última sessão ordinária do ano o Executivo, em fim de mandato, decidiu que no dia 11 de Janeiro de 2020 “a exploração comercial do serviço portuário no perímetro da Concessão Portuária do Porto de Nacala passa para a responsabilidade da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique”.
Entregue sem concurso público em 2005 ao Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), consórcio formado pelos Caminhos de Ferro de Moçambique com 49 por cento e pela Sociedade para o Desenvolvimento do Corredor de Nacala com 51 por cento, a concessão de 15 anos expira e não vai ser renovada numa altura em que enfim começou a gerar dividendos ao Estado.
Desde que a multinacional brasileira Vale assumiu o controle do consórcio, em 2013, a concessão gerou mais de 800 milhões de meticais, até ao terceiro trimestre de 2019. Até 2013 a concessão do Porto de Nacala só gerou lucros, milionários, para os membros do partido Frelimo que controlavam a maioria do capital social do consórcio: Armando Guebuza, Alberto Chipande , Teodato Hunguana, Mário Machungo, Cadmiel Muthemba, Mariano Matsinhe, Rosário Mualeia, Eduardo Nihia, Aires Ali, António Sumbana, Rui Cirne Plácido de Carvalho Fonseca, Fernando Couto e outras dezenas de “camaradas”.
Não foram reveladas as razões da não renovação da concessão mas o @Verdade sabe que o CDN pouco investiu na reabilitação de fundo do Porto de Nacala que acabaram por acontecer com através do Estado com recurso a Dívida Pública de 285 milhões de dólares norte-americanos contraída ao Japão.