RELATÓRIO: Um de cada quatro adolescentes distrai-se com o telemóvel e quase metade perde controlo do tempo

RELATÓRIO: Um de cada quatro adolescentes distrai-se com o telemóvel e quase metade perde controlo do tempo

12/05/2026 0 Por Carlos Joaquim
  • A hiper conectividade precoce redefine a infância: o acesso a dispositivos antecipa-se e intensifica-se desde idades cada vez mais jovens
  • Peritos alertam para o impacto na saúde mental e o rendimento escolar perante uma utilização cada vez mais difícil de controlar
  • O acesso a dispositivos conectados antecipa-se na infância: 90% dos menores já os utiliza e três de cada quatro adolescentes têm telemóvel antes dos 13 anos

Lisboa, 08 de maio de 2026

A utilização de telemóvel entre menores é já um fenómeno estrutural que afeta o desenvolvimento emocional, social e educativo das crianças. Esta é uma das conclusões do último relatório sobre a infância e tecnologia da SaveFamily, que alerta que um de cada quatro adolescentes utiliza o telemóvel com o forma de escape para esquecer os problemas, ao mesmo tempo que quase metade reconhece ter perdido o controlo do tempo que passa em frente ao ecrã.

Os dados do relatório, reforçados por estudos internacionais e questionários realizados diretamente com famílias, desenham um cenário de hiper conectividade precoce na qual o acesso a dispositivos digitais se produz cada vez mais cedo e com menor supervisão. O relatório assinala que 25% dos adolescentes recorrem ao telemóvel para se desconectar da realidade e até 48% admite dificuldades para gerir o seu tempo de utilização.

81% das crianças passam, diariamente, horas com o telemóvel

Este padrão não é isolado, desenvolve-se numa transformação mais ampla onde o acesso à tecnologia já não começa na adolescência, mas sim na infância. Em Portugal, 25% das crianças entre os 10-11 anos dispõe já de um telemóvel, uma percentagem que chega aos 75% entre os 11 e os 14, e uma utilização quase universal acima dos 15.

Os peritos alertam que a exposição prolongada não apenas implica mais tempo de ecrã, mas também uma relação cada vez mais intensa com os ambientes digitais os menores conectados, mas também como estão desenhadas as plataformas para os reter. Estamos perante sistemas que fomentam uma utilização continuada e dificultam a desconexão”, assinala Jorge Álvarez, CEO da SaveFamily.

O relatório assinala que esta dinâmica está reforçada pela antecipação na idade de acesso ao primeiro telemóvel. Se há uma década se situava perto dos 13 ou 14 anos, hoje, um terço dos adolescentes portugueses já dispõem de um smartphone antes dos 13 anos. Nalguns casos, o contacto com dispositivos conectados começa ante antes dos 8 anos, consolidando o uso intensivo desde etapas muito precoces, contra as recomendações dos peritos.

Riscos na saúde mental das crianças

Esta exposição precoce tem implicações que vão mais além do ócio digital. O relatório da SaveFamily aponta para uma relação entre o uso intensivo das redes sociais e o declínio da saúde mental. Os adolescentes que passam mais de três horas por dia em plataformas digitais duplicam o risco de sofrer problemas psicológicos, enquanto 17% reconhece ter tentado reduzir a sua utilização sem o conseguir.

Em paralelo, emergem sinais do impacto no âmbito educativo e social. 11% dos jovens admite que o uso de telemóvel afeta negativamente o seu rendimento escolar, enquanto outros jovens asseguram que sofrem de problemas mentais tais como ansiedade associada à desconexão ou a necessidade constante de interação digital, reagindo, até, com agressividade quando se tenta privá-los do telemóvel.

“Estamos a ver como a tecnologia entra na vida dos menores sem uma progressão adaptada ao seu desenvolvimento. Isto gera uma sobre-exposição que pode ter efeitos cumulativos no seu bem-estar emocional, a sua capacidade de concentração e as suas relações sociais”, adverte Álvarez.

Em Portugal, 91% das casas com crianças conta com acesso à internet, o que reflete uma tendência de penetração elevada de tecnologia e antecipação na idade de utilização. O mesmo se passando em Espanha, por exemplo. Em ambos os países, o objetivo já não é o acesso, mas sim a gestão de uma conectividade que se normaliza logo na infância.

A esta realidade junta-se o papel da inteligência artificial, que amplifica os riscos ao personalizar conteúdos e acelerar a exposição a estímulos digitais. O relatório adverte que a combinação de acesso precoce, desenho persuasivo e sistemas algorítmicos gera dinâmicas de utilização continuada que afetam de forma cumulativa o desenvolvimento cognitivo dos menores.

“As tecnologias atuais não apenas oferecem conteúdo, mas também o adaptam constantemente ao utilizador, o que aumenta a sua capacidade de influência. No caso dos menores, isto exige um foco muito mais rigoroso em termos de proteção e acompanhamento”, explica o CEO da SaveFamily.

Uma tecnologia que influencia a mente das crianças

Neste contexto, os especialistas coincidem na necessidade de repensar o modelo atual de acesso digital. Mais além de limitar o tempo de utilização, a tendência atual procura atrasar a entrega do primeiro smartphone para fomentar alternativas supervisionadas e reforçar tanto a educação digital como os mecanismos de controlo.

Para combater esta ameaça, cada vez estão mais presentes alternativas tecnológicas que procuram introduzir uma transição mais progressiva para a vida digital. Entre elas, os smartwatches orientados a menores emergem como uma solução eficaz ao permitir atrasar a entrega do primeiro telemóvel sem renunciar a conectividade que procuram as famílias. Estes dispositivos oferecem funcionalidades limitadas e controladas como chamadas, geolocalização, IA adaptada a crianças, mensagens restritas ou, até, modo antibullying que facilitam um primeiro contacto com a tecnologia num ambiente seguro e com supervisão. Deste modo, favorecem uma imersão digital escalada, adaptada à idade e o grau de maturidade do menor, ao mesmo tempo que contribuem para reduzir a exposição precoce a redes sociais e conteúdos potencialmente aditivos.

Esta realidade reflete uma geração que cresce conectada desde a infância, com hábitos digitais intensivos e uma relação cada vez mais complexa com a tecnologia. Um cenário que, de acordo como relatório, requer respostas estruturais que vão mais além da responsabilidade individual e abordem o desenho do próprio ecossistema digital no qual crescem os menores.

Acerca de SaveFamily

É a empresa de origem espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais distribui os seus produtos em mais de 26 países.

Criada em 2017, uma equipa multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500 mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes.