Padre e falsas freiras de instituição religiosa em Famalicão acusados de nove crimes de escravidão

Padre e falsas freiras de instituição religiosa em Famalicão acusados de nove crimes de escravidão

29/05/2019 0 Por Carlos Joaquim
Escreve o jornal Público esta quarta-feira que o padre e as três “freiras” da Fraternidade Missionária Cristo Jovem, em Famalicão, foram acusados de nove crimes de escravidão. O caso remonta a 2015.
Segundo o diário, as jovens que faziam parte daquilo que se pensava ser o convento de Requião, em Vila Nova de Famalicão, sofriam “várias agressões físicas, injúrias, pressões psicológicas, tratamentos humilhantes [e] castigos”, descreve o Ministério Público (MP). Além dos insultos e agressões, a acusação descreve igualmente situações de “trabalhos pesados, escassez de alimentação, negação de cuidados médicos e medicamentosos e restringimento da liberdade”.
Detalha a acusação que os arguidos impuseram às jovens ofendidas jornadas de trabalho que chegavam a atingir 20 horas e infligiam-lhes castigos físicos como bofetadas e pancadas no corpo com objetos caso não fizessem ou fizessem mal feito. Além disso, insultavam-nas e impuseram-lhes castigos como a privação de alimentação e de banho ou a obrigação de dormir no chão. “Controlaram os contactos que mantinham com o exterior e privaram-nas de informação, de contactos com familiares e, até, da documentação pessoal”, acrescenta a nota da procuradoria.
O padre Joaquim Malheiro, de 87 anos, e três mulheres que eram consideradas freiras, mas que efetivamente não o são, assim como a IPSS Fraternidade Missionária Cristo Jovem estão acusados de nove crimes de escravidão.
A acusação descreve um cenário de intimidação psicológica. Os acusados começavam por convencer as jovens de que tinham sido escolhidas para a vida religiosa e que se negassem as suas vocações “daí advinham castigos divinos, problemas familiares, mortes na família”. As vítimas eram normalmente “jovens de raizes humildes e com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas”.