Cerveja continua “rainha” na Queima das Fitas de Coimbra

Cerveja continua “rainha” na Queima das Fitas de Coimbra

06/05/2019 0 Por Carlos Joaquim
Com o tempo quente a ajudar, milhares de litros de cerveja jorraram pelas goelas e por cima dos corpos dos estudantes, em autênticos banhos de cevada, num cenário que se vem generalizando ano após ano.
“Acho um bocado exagerado. É álcool a mais e a maior parte dos estudantes acaba por não aproveitar a festa”, lamenta Graça Alves, que foi ao cortejo para assistir à primeira Queima das Fitas do filho, que estuda Marketing e Negócios Internacionais.
Mais de 100 carros alegóricos participaram no cortejo, que começou às 15:00, com o Grupo de Gaiteriros da Rainha Santa a abrir o desfile, seguido de um grupo de médicos que assinalava os 25 anos de curso.
Como é tradição, o cortejo era encabeçado pelo carro de Medicina, que apresentava um primeiro-ministro à “pesca de uma vaga”.
“Queremos denunciar que o método da nova prova de medicina não é o mais justo. Antes, todos os estudantes sabiam que quando entravam no curso tinham no final uma vaga para tirar a especialidade, o que não vai acontecer”, explicou a finalista Ana Silva, de Vila Nova de Gaia.
A futura médica, de 25 anos, considera que o primeiro-ministro “devia ter a noção que o país está a formar dos melhores médicos do mundo, que têm de ir para outros sítios onde sejam valorizados”.
“Em 2018, um terço dos estudantes ficaram sem vaga na especialidade e ficam como médicos indiferenciados”, disse Ana Silva, que deposita muita confiança na sua próxima etapa profissional.
Mas o carro que deu mais polémica nos dias que antecederam o cortejo foi o de História, que inicialmente tinha o nome de “Alcoholocausto”, mas que foi impedido pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra de o fazer.
Desfilando sem nome, os estudantes de História deixaram a sua posição bem vincada: “com esta polémica toda, parece que ainda há polícia académica”.