DISCRIMINAÇÃO | Direção-Geral da Educação vai retirar das escolas inquérito polémico

19/09/2018 0 Por Carlos Joaquim
Pais denunciaram questionário com perguntas discriminatórias, referentes à ascendência dos alunos.
De acordo com a DGE, a Comissão Nacional de Proteção de Dados tinha dado um parecer desfavorável ao inquérito, estabelecendo que algumas das questões formuladas teriam de ser retiradas.
O parecer fora enviado à DGE, mas, ainda assim, as escolas começaram a entregar o questionário aos pais e encarregados de educação.

Em declarações à TSF, a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, adianta que a empresa responsável por este inquérito pode ser multada até oito mil euros.

A distribuição do inquérito sem análise prévia por parte das entidades responsáveis, a DGE e a comissão nacional de proteção de dados, será averiguada para apuramento de responsabilidades, aponta Rosa Monteiro.
O Alto Comissariado para as Migrações, Pedro Calado diz que, após queixas dos pais, o caso está a ser investigado. Este não é um inquérito habitual, admite.
“Considerar que os ciganos portugueses são uma categoria que não é portuguesa parece-me estranho. Os ciganos que vivem em Portugal há mais de 500 anos são portugueses e portuguesas como todos os outros cidadãos.”
António Pinto Nunes, vice-presidente da Federação Cigana Portuguesa, apela por sua vez à intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa.
“Claro que é racismo”, condena, “o que é que importa a uma escola se uma pessoa é cinzenta, parda, amarela ou azul?”
Este inquérito foi organizado pela CLOO, uma empresa de consultadoria em economia comportamental e coordenado pela investigadora Diana Orghian. Tem por objetivo “melhorar os métodos educativos em Portugal” através do estudo sobre a ascendência dos alunos e origem dos pais
e refere que é feito em parceria com a Fundação Belmiro Azevedo.
Fonte: TSF

*com Sara de Melo Rocha, Paula Dias e Carolina Rico