Está sol, é de dia, por isso vos saúdo-vos com um caloroso bom dia! Este é o Expresso Curto que tem pano para mangas e a lavra de Nicolau Santos em mangas de camisa, sem lacinho. Aqui neste pedaço chamado de parágrafo é só mangas. E agora vamos aos manguelas.
Nicolau Santos – Expresso
Com efeito, os Estados Unidos atacaram esta madrugada a base militar aérea de Homs, na Síria. “Esta noite, ordenei um ataque militar à base síria de onde o ataque químico foi lançado”, disse Donald Trump numa declaração à nação, em Mar-a-Lago, na Florida, onde jantou com o presidente chinês Xi Jinping. Foram disparados 59 mísseis Tomahawk de dois navios norte-americanos contra a base, que terá ficado totalmente destruída. E isto mesmo depois do governo sírio ter negado, por várias vezes, que não era responsável pelo ataque químico e do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter saído em defesa dos seus aliados sírios, dizendo que era preciso investigar antes de atribuir culpas.
A decisão surge como resposta ao ataque com armas químicas em Idlib, na terça-feira, que matou 86 pessoas, das quais 27 crianças. Foi esse ataque, lançado presumivelmente da base de Homs por parte de forças leais a Bashad, que levou o Presidente dos EUA a mudar drasticamente a sua atitude em relação ao líder sírio e a alinhar com a posição que o seu antecessor, Barack Obama, sempre defendeu. “Quem mata crianças inocentes, bébés inocentes com um gás químico tão letal, cruza todas as linhas. Na minha opinião, quem faz isto vai além da linha vermelha, vai além de muitas muitas linhas”, afirmou o Presidente norte-americano, que usou termos como “atrocidade” e “uma afronta para a humanidade” para descrever o que aconteceu em Khan Sheikhoun. “A minha atitude em relação à Síria e em relação a Assad mudou drasticamente”, anunciou.
Horas depois, o presidente norte-americano provava o que dizia. Trata-se do primeiro enfrentamento militar entre Washington e Moscovo desde que Trump chegou ao poder. Recorde-se que, até agora, o presidente norte-americano tinha dado vários sinais de que, do ponto de vista geoestratégico, a China era o grande inimigo dos Estados Unidos e a Rússia era vista como um potencial aliado. O Reino Unido já veio apoiar publicamente o ataque norte-americano. O mundo tornou-se bem mais perigoso esta madrugada.
Trata-se, no caso, de Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas. Preto no branco: “Teria gostado de ver o Presidente da República defender a independência do Conselho de Finanças Públicas, em particular da sua presidente, a dra. Teodora Cardoso, a sua idoneidade e competência, quando foi fortemente atacada pelos partidos que apoiam o Governo e até pelo primeiro-ministro”.
Pois, se bem se lembram Teodora Cardoso afirmou na altura, numa entrevista ao Público, sobre o resultado de 2,1% do défice em 2016: “até certo ponto houve um milagre”. Poucas horas depois, interpelado sobre o tema, Marcelo Rebelo de Sousa diria taxativamente: “Milagre este ano em Portugal só vamos celebrar um, que é o de Fátima. Pelo menos os crentes, como eu. Tudo o resto não é milagre. Saiu do pelo e do trabalho dos portugueses desde 2011/2012”.
Passos, pelos vistos, não gostou, até porque “precisamos de instituições independentes e fortes”. Mas foi o único reparo que fez a Marcelo durante a entrevista. Sim, nalguns casos gostaria que o tom fosse mais este ou aquele mas “o Presidente não está em Belém para desenvolver a estratégia do PSD ou de qualquer outro partido”. E não, não acha estranho que “o Presidente possa mostrar a sua colaboração com o Governo”.
Quanto ao Governo, recusou-se a dar-lhe os parabéns pelo valor do défice em 2016 ou a reconhecer que ele próprio se tinha enganado quando considerava que o objetivo não seria atingido – porque “o Governo mudou de estratégia , adotou um plano B e recorreu a medidas extraordinárias”. Em qualquer caso, admitiu, “prefiro que o Governo tenha atingido a meta do défice em vez de a ter falhado”.
No que toca ao Novo Banco, criticou o longo processo de venda do banco de transição e o facto de, mesmo assim, só ir ser vendido 75%. E criticou igualmente as novas condições (taxa de juro mais baixa e extensão do prazo de pagamento para 30 anos) para a banca pagar o empréstimo ao Fundo de Resolução. Não disse, contudo, como teria feito de forma diferente se fosse ele a decidir.
Em matéria de eleições autárquicas foi bem claro: “Eu nunca me demitiria de presidente do PSD por causa do resultado das eleições autárquicas”. Mas, “à partida não aceito que se diga que o PSD vai perder as eleições”. Quanto às legislativas de 2019, “não faço futurologia”, uma maneira de dizer que não sabe se o PSD irá a votos sozinho ou coligado com o CDS.
As reações à entrevista não se fizeram esperar. Na SIC Notícias, no programa “Quadratura do Círculo”, Jorge Coelho, afirmou: “Não saiu nada daquela entrevista. Ele está em estado de negação absoluta”, acrescentando que Passos insiste no discurso de que “tudo é mau agora e que tudo era bom quando ele estava no Governo”. António Lobo Xavier diz que o líder do PSD “não tem programa” e que nota que ele não pode estar sempre a dizer que a estratégia do Governo para a economia não vai durar, mas depois não dar soluções. Quanto a Pacheco Pereira sustenta que Passos “nunca fez o luto de primeiro-ministro”. “Ele não é primeiro-ministro, mas aparece de bandeirinha na lapela. Ele deve ir para a praia com a bandeirinha”.
A idade da reforma das pessoas com carreiras contributivas longas vai baixar, e esta redução será tanto mais acentuada quanto maior os anos de descontos. O modelo ontem apresentado pelo governo aos parceiros sociais acaba com o efeito do fator de sustentabilidade no valor das pensões e cria um sistema de bonificações que permite a quem tem entre 41 e 47 anos de descontos chegar à reforma (sem cortes) entre quatro meses e três anos mais cedo do que a idade legal em vigor. O novo regime vai ser posto em prática de forma faseada.
Talvez isso ajude a diminuir o consumo de antidepressivos em Portugal, cujas vendas aumentaram 32% nos últimos cinco anos, mais de dois milhões de embalagens. Portugal é o país da Europa com maior prevalência de ansiedade.
Hoje comemora-se o Dia Mundial da Saúde, este ano dedicado á depressão, que afeta cerca de 8% dos portugueses e ficou a saber-se que o número de jovens a ir às urgências de pedopsiquiatria aumentou desde o surgimento da crise económica, em 2010/2011, com os médicos a registarem casos de grande ansiedade, depressão, automutilação ou tentativas de suicídio. Desemprego e emigração são as principais razões para esta tendência.
O diretor-geral da Saúde, Francisco George, revelou que há seis casos de sarampo notificados, cinco já confirmados, em Portugal. Quatro das infeções foram registadas no Algarve, uma no Norte e um sexto caso está ainda sob investigação. O surto é já o maior desde 2005, com seis doentes.
Entretanto, hoje não é bom dia para adoecer e ir de ambulância para o hospital. É que os trabalhadores do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) estão em greve esta sexta-feira. Falta de condições de trabalho, excesso de horas extraordinárias e problemas com a carreira de emergência pré-hospitalar são as razões invocadas pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) para a greve, que culmina com uma manifestação frente ao Ministério da Saúde.
As buscas pelos restos mortais das vítimas das explosões numa fábrica de pirotecnia em Avões, Lamego, foram encerradas ontem ao fim do dia, após terem sido encontrados mais vestígios biológicos que podem apontar para a confirmação de oito mortos.
FRASES
“Espero que seja farinha francesa”. François Fillon, o candidato de direita às eleições presidenciais em França, que ontem foi atingido por um saco de farinha quando falava com apoiantes, Público.
“É perfeitamente lógico que Centeno tenha sido sondado para o Eurogrupo”. Manuela Ferreira Leite, dizendo que só faz sentido substituir Dijsselbloem se for por um dos ministros das Finanças dos países visados pelas palavras do holandês – e que terão gasto o dinheiro em “copos e mulheres” e depois foram pedir ajuda, TVI
“Temos um Presidente com opinião sobre tudo menos os direitos fundamentais dos cidadãos”. Dias Loureiro, que se sente “muitíssimo revoltado” com o despacho do arquivamento do processo que o indiciava por crimes de burla, branqueamento e fraude fiscal, Diário de Notícias
“O nosso exército já declarou: se houver a menor provocação dos Estados Unidos no âmbito dos exercícios [militares], estaremos prontos a levar a cabo o mais impiedoso dos golpes”. Kim Hyong Jun, embaixador norte-coreano na Rússia, Diário de Notícias. Está a falar de quê? De utilizar a bomba atómica?
“Mais um dia de vida – Angola 1975”, do jornalista polaco Ryszard Kapuscinski, é um retrato espantoso do que se passou em Angola naquele distante ano, em que milhares de pessoas fugiram, através de uma ponte aérea, para Portugal, enquanto a capital, controlada pelo MPLA, ia ficando asfixiada pelas tropas da FNLA, UNITA e comandos sul-africanos, que convergiam do norte, sul e leste. “Por volta dessa altura, alguém trouxe para o hotel a notícia de que a polícia toda se tinha ido embora! (…) Todos os bombeiros se foram embora! (…) Todos os lixeiros se foram embora! (…) A cidade inteira começou a feder (…) Os gatos começaram a morrer (…) Mais tarde, quando todos os barbeiros, artistas, carteiros e porteiros se foram embora, a cidade de pedra perdeu a sua razão de existência, o seu sentido (…) A cidade estava a morrer da forma que morre um oásis quando o poço seca: esvaziou-se, prostrou-se inanimada, caiu no esquecimento (…).
“O impostor”, do espanhol Javier Cercas, é um relato jornalístico (Cercas é jornalista) sobre Enric Marco, “um nonagenário barcelonês que se fez passar por sobrevivente dos campos nazis e que foi desmascarado em maio de 2005, depois de presidir durante três anos à associação espanhola dos sobreviventes, de dar centenas de conferências, de conceder dezenas de entrevistas, de receber importantes distinções e de comover (nalguns casos até às lágrimas) os parlamentares espanhóis reunidos para, pela primeira vez, prestarem homenagem aos republicanos vítimas do III Reich”. Como foi possível que uma pessoa tivesse conseguido enganar tanta gente? E como é que Marco se vê a ele próprio depois de ser denunciado?
E pronto, este foi o seu Expresso Curto. Vá-nos acompanhando através do Expresso online e descubra o que o Expresso Diário lhe traz, hoje às seis em ponto. Amanhã está nas bancas a mãe de todos os Expressos, o Expresso em papel – e continua nas bancas a edição de colecionador de Peter Pan, com anotações de Rita Redshoes, ilustrações de Cláudia Guerreiro e posfácio de Pedro Santos Guerreiro. Compre, delicie-se, deleite-se e recorde. É que ainda por cima o fim de semana vai ser marcado pelo bom tempo com temperaturas elevadas, em especial a máxima que vai variar entre os 25 e os 28 graus. O que se pode querer mais?
