Marinha Grande | APRESENTAÇÃO DE LIVRO PROMOVE REFLEXÃO SOBRE A INTEGRAÇÃO DA COMUNIDADE CIGANA

Marinha Grande | APRESENTAÇÃO DE LIVRO PROMOVE REFLEXÃO SOBRE A INTEGRAÇÃO DA COMUNIDADE CIGANA

16/06/2026 0 Por Carlos Joaquim
O Auditório do Edifício da Resinagem, na Marinha Grande, acolheu, no passado dia 12 de junho, a apresentação da obra “Portugueses ciganos, 5 séculos de resistência”, da autoria da jornalista Ana Cristina Pereira, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, numa sessão que promoveu a reflexão sobre a história, os desafios e as perspetivas de integração da comunidade cigana em Portugal.

A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, e dos vereadores Carla Santana e Sérgio Silva, bem como com a participação de diversos convidados com intervenção nas áreas social, académica e comunitária, proporcionando um debate alargado sobre a inclusão, a igualdade de oportunidades e o papel das políticas públicas na transformação social.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara sublinhou a importância do trabalho desenvolvido por todos os que contribuem para uma sociedade mais justa e igualitária, destacando o papel das instituições e dos agentes no terreno na promoção da inclusão social.
Paulo Vicente evidenciou que acontecimentos recentes, como a tempestade que afetou o concelho, criaram também oportunidades para reforçar o trabalho de integração da comunidade cigana. Neste âmbito, destacou o projeto em desenvolvimento no bairro da Lagoinha, como um exemplo de intervenção estruturada, orientada para melhorar as condições de vida, promover a inclusão social e reforçar a coesão comunitária.

A autora da obra, Ana Cristina Pereira, explicou que o livro resulta de um longo trabalho de investigação motivado pelo contacto continuado com situações de discriminação e exclusão social. Referiu que procurou compreender as raízes do anticiganismo em Portugal e evidenciar o seu impacto devastador, destacando a resiliência das comunidades ciganas ao longo de séculos de perseguição.

Sublinhou ainda a importância de promover o conhecimento e o entendimento mútuo, apontando a necessidade de reforçar figuras de mediação, nomeadamente em contextos como a saúde e a educação.
A socióloga Maria Manuela Mendes destacou que este tipo de iniciativas representa uma oportunidade relevante para aprofundar a participação dos cidadãos na produção de conhecimento científico e no processo de transformação social. Referiu a importância de dar visibilidade aos percursos individuais e aos processos de mobilidade social entre gerações, sublinhando que, apesar de alguns progressos, persistem desafios estruturais que exigem maior escala e consistência nas políticas públicas, bem como uma articulação mais eficaz entre diferentes entidades.

Também Renato Bernardino, licenciado em Ciências Sociais, mentor e presidente do Centro de Abertura a Linguagens e Lugares Outrora Negados (CALLON), admitiu que sentiu a necessidade de contribuir para dar visibilidade à história e à realidade da comunidade cigana, sublinhando que se trata da maior minoria transnacional da União Europeia. Evidenciou a relevância de trazer estas questões para o espaço público e de promover soluções concretas, reconhecendo que, após séculos de discriminação, a mudança exige tempo, compromisso e continuidade.

*Gabinete de Comunicação e Imagem